''Os caras são inteligentes!'', espantou-se o estudante Maurício Lopes Neto, contando que um dos internos inclusive sugeriu uma forma melhor de se colar as embalagens, que foi logo adotada. ''Eles têm uma facilidade de aprender muito grande. Fiquei espantado com o jeito deles, que é diferente do que eu pensava. Assim, eles também ensinam a gente'', elogiou.
Colocar em prática os conhecimentos adquiridos nesse projeto, para Maurício Lopes, além de ser gratificante, serviu para desmistificar determinados conceitos. ''Todo mundo deveria ajudar. Conhecer a realidade aqui dentro ajuda a sociedade a ver que eles estão trabalhando, e que também merecem uma chance depois que saírem.''
Preso há cinco anos, Mário Silso de Oliveira achou a manta térmica mais fácil e mais simples de se fazer do que os aquecedores de material reciclável. ''Não tem segredo. É bom porque ajuda pessoas carentes, e ao mesmo tempo ocupa mais a mente. Então a pessoa deixa de pensar só em coisa ruim, volta a sonhar com o que pode fazer lá fora'', avaliou.
Para Nelson Fonseca, confeccionar as mantas e o aquecedor está entre os planos para quando terminar de cumprir a sua pena. ''É muito bom porque ajuda a passar o tempo e ainda diminui a pena. Também demonstra que a gente não é de alta periculosidade e tem o direito de conviver na sociedade'', comentou. O fato de poder ajudar famílias mais humildes, para Fonseca, também é gratificante. ''Quem sabe um dia não vou fazer um desses para a minha família, que também é de baixa renda?'', cogitou.
O CDR abriga hoje 860 detentos. Os participantes desses projetos são selecionados seguindo critérios como bom comportamento e relacionamento e a disposição. Dependendo da demanda do projeto, é possível aumentar o número de internos participantes. (A.I.)

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