Participante de racha vai a júri popular
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos NegriniArma do crimeO Kadett dirigido por Gimenes, fotografado pela família da Fávero logo depois do acidenteO juiz da 3ª Vara Criminal de Maringá, Carlos Olivir Oldakowski, determinou julgamento por júri popular para o mecânico Sandro Garcia Gimenes, 23 anos, acusado de atropelar e matar duas pessoas durante um racha, na avenida Colombo, em abril do ano passado. A decisão, que acolhe argumentação da Promotoria Pública, é inédita na cidade.
As vítimas do atropelamento foram o comerciante Nelson Fávero, 53 anos, e o pedreiro José Carlos Alves, 31, que atravessavam a Colombo no momento do acidente. Se for condenado por homicídio doloso (com intenção de matar), Gimenes pode pegar até 20 anos de prisão. Oldakowski alega que acatou o pedido de julgamento popular proposto pela acusação e pela promotoria depois de ouvir o acusado.
No depoimento, Gimenes admitiu que conhecia o local do atropelamento. Também confessou que tem gosto pelo perigo e que estava em velocidade incompatível com o trecho, apesar do movimento da avenida e das condições de iluminação natural.
Gimenes, porém, negou que estava disputando um racha. Ele disse que só percebeu ter atropelado uma pessoa - foram duas. Ele confirmou que parte do corpo de uma vítima ficou dentro do Kadett placas AEU-2820 (Maringá), dirigido pelo mecânico, e que pertencia ao patrão dele.
O atropelamento aconteceu por volta das 19 horas de 24 de abril do ano passado, entre as avenidas São Paulo e Pedro Taques.
Nélson Fávero, segundo testemunhas, já estava ao lado do canteiro central. Pelo laudo da polícia, o Kadett dirigido por Gimenes estava a 105 quilômetros por hora. O limite de velocidade na avenida Colombo é de 60 quilômetros por hora. Gimenes admitiu ao juiz que conhecia o limite.
Segundo o laudo de trânsito, o Kadett freou ao longo de 47 metros. Da pista interna da avenida, o carro seguiu na diagonal até o centro da via, atingiu Fávero e Alves, bateu no meio-fio do canteiro e ainda se deslocou por mais oito metros antes de parar.
Pela versão das testemunhas apresentadas pela acusação, o Kadett participava de um racha com um Passat branco, que não foi identificado. Os dois veículos teriam cruzado o sinal fechado no cruzamento com a avenida São Paulo. Gimenes, pouco antes de atropelar as duas vítimas, teria saído de trás do Passat. Ele alegou que freou o carro em linha reta, depois de ver um vulto, e que fugiu do local porque foi ameaçado por pessoas.
Segundo Nivaldo Bachega, genro de Fávero, há 15 dias a prefeitura instalou um quebra-molas no local do acidente. Ele diz que, desde que Fávero e Alves foram atropelados, outras duas pessoas morreram no mesmo local. Bachega disse que o sogro passava pelo mesmo local há pelo menos 25 anos e conhecia bem o trecho.


