Parteira pode ser presa por aborto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Ossamu KandaMariza Cácia: Há provas de que ela recebia dinheiroA parteira Maria José do Nascimento Souza, 76 anos, está sendo indiciada em inquérito por crime de aborto e pode pegar de um a quatro anos de prisão. É o segundo inquérito aberto contra ela. No sábado, com mandado de busca e apreensão, a polícia encontrou em sua casa equipamentos cirúrgicos normalmente usados para a prática do aborto.
Em sua defesa, Maria José diz que só faz o trabalho em mulheres que já tomaram as pílulas para abortar e que chegam à sua casa, na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, perdendo muito sangue. Já fiz partos na cidade inteira, afirma.
A escrivã Maria Cácia de Almeida, responsável pelo inquérito, lembra que a primeira denúncia feita contra Maria José foi em novembro de 96, quando Silvana Aparecida de Souza, 20 anos, foi internada com uma crise de hemorragia uterina no Hospital Universitário.
Ossamu KandaMaria José: Dizer que faço abortos é uma calúniaOs médicos comprovaram que Silvana havia sido submetida a um aborto e denunciaram à polícia. O inquérito parou de tramitar porque a Delegacia da Mulher, responsável pelo caso, ficou mais de seis meses sem escrivão.
Em 12 de novembro, a doméstica Rosângela de Souza Santos, 23 anos, foi internada em estado grave na Santa Casa com hemorragia uterina. Ela acusou Maria de ter praticado o aborto nela. Com base nesse depoimento, a escrivã Maria Cácia abriu um segundo inquérito, que deverá estar concluído até sexta-feira.
Desta vez, a escrivã garante que Maria José será condenada. Temos depoimento de uma pessoa que trabalhava com Maria José que garante que ela fazia de dois a três abortos por mês e cobrava entre R$ 150 e R$ 400,00.
A polícia encontrou na casa de Maria José instrumentos médico-hospitalares para exames ginecológicos, um litro de xilocaína com haste flexível com vestígios de sangue, uma escadinha, uma cama hospitalar e lençóis também sujos de sangue. Todo o material já foi enviado ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico-Legal para exames.


