Saiu ontem de Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina) o primeiro carregamento de agrotóxicos estocados, desde 1987, no prédio que deveria abrigar a Colônia Penal Agrícola. No caminhão foram levados 510 barricas de 30 quilos cada, somando mais de 15 mil quilos das 1,2 mil toneladas armazenadas no local.
Marcos BorgesFuncionários com macacões, luvas e máscaras iniciam o trabalho...Uma equipe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) acompanhou o carregamento até a divisa do Estado com São Paulo. O caminhão saiu da Colônia, localizada cerca de 15 quilômetros da cidade de Tamarana, por volta das 15h30. De acordo com trajeto traçado pela WPA Engenharia, empresa responsável pela embalagem e transporte do produto até o incinerador da Bayer do Brasil, em Belford Roxo (RJ), os caminhões seguirão sempre pela BR-369 até Ourinhos. De lá, viajam pela Rodovia Castelo Branco e na altura de Sorocaba (SP) entram na Dom Pedro I até Jacareí (SP), a partir de onde trafegam pela Via Dutra até Belford Roxo.
Marcos Borges... e depositam as barricas contendo agrotóxico no caminhão...
O percurso, de cerca de mil quilômetros, deve ser concluído em 14 horas. As barricas de papelão estão sendo transportadas dentro de um contêiner marítimo, de aço e com vedação de borracha na porta. ‘‘Mesmo que ocorra um acidente, não há risco do produto vazar’’, informa o engenheiro-químico Paulo Fernandes, um dos sócios-proprietários da WPA. ‘‘Pode até cair na água, que nós resgatamos toda a carga intacta’’, exagera ele. As barricas vão direto para o incinerador.
Os produtos estão sendo embalados por 11 funcionários contratados pela WPA, todos residentes em Tamarana. Fernandes informa que eles receberam o treinamento necessário para mexer com os produtos. Para não correrem risco de intoxicação, eles usam macacões, luvas e botinas impermeáveis, além de uma máscara que cobre toda a face.
Marcos Borges... que, finalmente, deixa a área da Colônia Penal AgrícolaA previsão da WPA é que demore três meses para que todo o produto armazenado seja transportado até Belford Roxo. Serão mais de 60 viagens. A princípio, os planos eram retirar um caminhão de agrotóxico a cada dois dias. Mas, segundo Fernandes, por enquanto não será possível cumprir o cronograma porque a estrada de terra até a colônia não está totalmente recuperada. Funcionários da prefeitura de Tamarana continuam trabalhando na área.
‘‘Semana que vem poderemos sair com dois caminhões apenas’’, adianta. Ontem, para que o caminhão deixasse o pátio onde estava sendo carregado foi necessária a ajuda de um trator. Nos galpões estão estocados, principalmente, DDT, BHH e Aldrin, todos tiveram a comercialização e uso proibidos em 1987.

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