Pelo menos 150 cutias e patos-do-mato, espécies nativas das áreas verdes de Curitiba, voltaram a circular pelos parques da cidade nos últimos meses. Os animais fazem parte do projeto de repovoamento, criado há sete anos pela prefeitura para preservar a fauna silvestre e, ao mesmo tempo, aproximá-la da população. ‘‘As crianças e os adultos’’, explica a bióloga Gilda Tebir, diretora do Museu de História Natural, ‘‘ devem ter a oportunidade de conviver com os animais. Por isso estamos trazendo para a cidade, espécies que desapareceram das áreas verdes, pelo alto adensamento urbano das regiões próximas a parques e bosques’’.
Reproduzidos no próprio criadouro do Museu de História Natural, no Capão da Imbuia, os animais são reintroduzidos nos bosques quando estão ingressando na fase adulta. A adaptação é feita durante uma semana em um recinto provisório, e logo depois eles são soltos.
O monitoramento é feito regularmente por uma equipe do Museu, que além de levar milho e ração, ainda verifica a situação e o desenvolvimento dos animais. Trabalho que é acompanhado também pelas escolas próximas aos parques, participantes de um programa de educação ambiental, desenvolvido paralelamente.
O estudo mais recente é o que investiga as condições adequadas para a reintrodução dos chamados ‘‘serelepes’’. Há vinte anos, os animais eram encontrados em várias praças da cidade como na Tiradentes. Mas a criação em cativeiro é muito difícil por causa de necessidade de uma grande área. ‘‘Desde 1992, só cinco serelepes nasceram em cativeiro’’, conta a bióloga Tereza Cristina Margarido, outra das pesquisadoras do Museu. ‘‘Além disso’’, completa Gilda Tebit, ‘‘eles não conseguem conviver com o homem. O barulho estressa a raça, que vai para locais mais tranquilos, em matas da Região Mtropolitana’’.

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