Parque Universidade, carente em quase tudo
Osmani Costa
O nome é imponente e enganoso. Vizi nho de fundo da Universi dade Estadual de Londrina (UEL), na zona oeste da cidade, o Par que Universi dade tem poucos benefícios da infra-estrutura urbana oferecida à população. No bairro residem cerca de 750 famílias, carentes de quase tudo. Além do desemprego que aumenta as dificuldades diárias, os moradores enfrentam a falta de escola, creche, praça, centro comunitário, módulo policial, rede coletora de esgoto, posto de saúde, quadra de esportes e asfalto.
Nas ruas esburacadas, as pessoas humildes se submetem à poeira dos dias de sol e ao barro dos dias chuvosos. Os problemas são tantos e tão antigos que a gente nem sabe do que reclamar. Fica difícil até definir o que é prioritário. Mas, certamente, as necessidades mais urgentes são a construção de uma escola, uma creche e um posto de saúde, comenta o presidente da Associação de Moradores, Benedito Balduíno Farias.
Segundo ele, que é o terceiro morador mais antigo do lugar, o loteamento foi lançado há cerca de 21 anos, mas as primeiras famílias começaram a chegar há uns oito anos. Quando cheguei, aqui era um capinzal danado. O bairro mudou muito, aumentou a população, mas continua abandonado pelas autoridades, pelos políticos, que só aparecem em época de eleição para renovar as promessas nunca cumpridas, critica Farias, 51 anos, que fechou recentemente um pequeno bar que possuía por falta de fregueses e está desempregado.
Isto aqui é o fim, não só da cidade, mas do mundo mesmo. Aqui falta quase tudo. Somos uma população pacata e pagamos nossos impostos em dia, mas o que recebemos em troca é o desprezo das autoridades. Falta vontade política para resolver os nossos problemas, que são antigos e bem conhecidos pelos vereadores e secretários municipais, afirma o aposentado José da Silva, que mora no Parque Universidade há cinco anos.
De acordo com ele, de serviços públicos a população só conta com água encanada, iluminação elétrica, um orelhão e uma linha de ônibus. É muito pouco para um bairro que tem mais de dois mil moradores, entre eles cerca de 300 crianças. Os ônibus, por exemplo, são insuficientes porque só passam a cada 30, 40 minutos, e já vêm lotados dos bairros vizinhos, diz Silva, lembrando que o problema de insegurança diminuiu depois que a Polícia Militar - que não tem módulo no local - colocou, nos últimos meses, uma viatura para fazer rondas diurnas e noturnas.
A dona de casa Ivone Lima Cardoso considera que as maiores necessidades do bairro são um posto de saúde, uma creche e uma escola de 1º grau. As crianças pequenas ficam soltas pelas ruas. As maiores têm que ir estudar muito longe de casa e a gente fica preocupada com elas, comenta Ivone, que é casada com o frentista de auto-posto Luiz Cardoso. O casal tem dois filhos - Tiago e Luis Henrique - que estudam no Novo Bandeirantes, a cerca de 2 quilômetros, e o caçula Guilherme, com 7 meses.
Solange Pereira, também dona de casa, manda seu filho Alan, 5 anos, diariamente à creche do Jardim Panissa, a cerca de 3 quilômetros. Ainda não consegui vaga para o Luan, de 1 ano, e por isso, não posso voltar a trabalhar para ajudar no orçamento da família. Só conseguimos cinco vagas para as crianças do nosso bairro na creche do Panissa. Mais de 50 ficaram na lista de espera. O certo seria a construção de uma creche aqui mesmo, reivindica ela.
As mães e pais se preocupam ainda com o cansaço e a segurança dos filhos que têm que estudar na escola estadual do Conjunto Avelino Andrade Vieira (Panissa). Quandos eles não têm dinheiro para o ônibus, os adolescentes são obrigados a atravessar a pé por um grande cafezal.
Sem escolas, sem creche, sem parque infantil e sem quadra de esportes, a cena mais comum no Parque Universidade são turmas de meninos e meninas brincando pelas ruas cheias de pedras e terrenos baldios. O jeito é pegarmos uma bola e brincar nos lotes vagos, que normalmente estão muito sujos e cheios de buracos, reclama Kênia Paixão, 14 anos.
Já o ex-vigilante e desempregado Antonio Cândido, 54 anos, se diz revoltado com o pagamento de R$ 60,00 que teve de fazer à Loteadora Tupy pela construção de uma ponte de concreto sobre o Ribeirão Esperança, entre o Parque Universidade e o Jardim Columbia, recentemente inaugurada. Fiquei muito surpreso e bravo. Nunca tinha visto falar que os moradores de bairro tiveram que pagar por uma ponte. Mas como o pagamento era obrigatório para eu conseguir a escritura da minha casinha, não tive como fugir, explica ele.





