Parque poderá ter pesque-pague
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de junho de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
O Provopar e as secretarias de Agricultura e de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Maringá querem transformar o lago do parque Alfredo Nyffeler em pesque-pague. O parque tem 10 hectares e foi formado há cerca de dez anos para acabar com a erosão na nascente do ribeirão Morangueira. O projeto prevê a instalação de grades em torno do lago e a construção de toda infra-estrutura necessária para atender os pescadores.
O secretário Hamilton Cardoso, de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, garante que a transformação do lago em pesque-pague não vai prejudicar os usuários do parque. Hoje poucas pessoas frequentam o Alfredo Nyffeler, e a intenção é garantir uma área de lazer muito procurada dentro da cidade, explica. Ele diz ainda que o parque não é unidade de preservação, e por isso comporta a instalação do pesqueiro.
A intenção do projeto é também criar uma fonte de renda para o Provopar e incentivar a criação de peixes em pequenas propriedades do município. Hoje, explica Cardoso, a maioria dos pesqueiros da região se abastecem de criatórios instalados no Oeste do Estado. O projeto prevê que a Secretaria de Agricultura dê todo apoio técnico aos produtores rurais interessados, com a garantia da compra dos peixes, diz. De imediato, os peixes para abastecer o pesque-pague serão criados no lago do parque do Ingá.
O lago do parque já é povoado por algumas espécies. Existem carpas de até seis quilos no lago, afirma Cardoso. Para a instalação do pesqueiro, serão colocados mais espécies, principalmente piau e pacu, muito procuradas pelos pescadores. Cardoso acha que o pesque-pague vai beneficiar principalmente as pessoas que gostam de pescar mas não possuem carro. De qualquer ponto da cidade é possível chegar ao parque de lotação, e o pescador não precisa nem levar a vara, diz ele.
O engenheiro Paulino Mexia, do escritório de Maringá do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), acha que a forma como o município quer explorar a pescaria no parque Alfredo Nyffeler não é correta. Ele lembra que chegou a promover pescarias no parque quando era secretário de Meio Ambiente de Maringá, mas deixa claro que a pesca era liberada esporadicamente, e sempre com autorização do Ibama. A pesca servia também para controlar a população do lago, onde chegamos a colocar mais de 10 mil peixes, explica
Ele deixa claro que o parque não é unidade de preservação, mas acredita que a liberação da pesca diária pode prejudicar o lago. Quanto a criação de peixes no lago do parque do Ingá, para abastecer o pesqueiro, Mexia se mostra contrário a idéia. O parque do Ingá é uma unidade de preservação, e qualquer tipo de exploração deve ser precedida de estudo do impacto ambiental, alerta.


