Relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) pode servir de base para que a Unesco (órgão da ONU para a Educação, Ciência e Cultura) determine que o Parque Nacional do Iguaçu seja reconhecido como Área de Proteção Ameaçada.
Conforme o conteúdo do relatório, onde constarão informações sobre o Plano de Revitalização da unidade e o seu novo Plano de Manejo, a reserva, de 185 mil hectares, poderá deixar de ser considerada Patrimônio Natural da Humanidade.
Ontem em Foz do Iguaçu, o australiano Warren Nichols, delegado sênior da entidade responsável pela elaboração do relatório, sobrevoou o parque de helicóptero e aterrissou na Estrada do Colono. Nichols, sem emitir nenhum comentário, ouviu a exposição de lideranças políticas de Serranópolis do Iguaçu e Capanema, cidades do Sudoeste ligadas pela Estrada do Colono.
‘‘Não se pode adiantar nada sobre qual foi a impressão do delegado’’, comentou Júlio Gonchorosky, diretor do parque. Acompanharam Nichols na visita, o coordenador de Meio Ambiente da Unesco/Brasil, Celso Schenkel, e o representante do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Luis Antonio Nunes de Melo.
Nichols deve concluir seu relatório depois de analisar o novo Plano de Manejo, que está em fase de redação final na Universidade Federal do Paraná. O Plano de Manejo deve recomendar que a Estrada do Colono seja fechada, ponto mais polêmico do documento.
Somente em novembro, ou dezembro, a Unesco definirá se o Parque Nacional do Iguaçu é uma área ameaçada ou preservada. Depois de ser enviado ao Centro do Patrimônio Mundial, em Paris, o relatório será distribuído a comissões de avaliação que devem chegar a um consenso sobre a condição da reserva.
Nichols, que retorna a Austrália na manhã de hoje, também conheceu a região da Mata Atlântica, no sul de São Paulo, na Ilha do Mel e no Parque Nacional do Superagui, além do Parque Nacional do Monte Paschoal, no sul da Bahia. A Unesco avaliará a possibilidade de tornar estas áreas Patrimônio Natural da Humanidade.
Segundo Nunes de Melo, o título traz benefícios econômicos, políticos e ambientais para a região. ‘‘A perda deste reconhecimento implicará danos à imagem do Brasil lá fora e dificultará a captação de recursos para projetos de política ambiental’’, explica.

mockup