O número de casos de leishmaniose em Londrina está preocupando frequentadores e moradores próximos ao Parque Arthur Thomas, uma das mais importantes áreas de lazer da cidade e o principal foco do mosquito transmissor da doença. A leishmaniose é transmitida pelo flebótomo, mosquito que vive nas matas. Cerca de 80 pessoas estão com a doença na cidade. O Setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde informou que, por ser silvestre, o mosquito não pode ser erradicado e que a principal causa do ataque é o desmatamento. As consequências da leishmaniose podem levar à morte.
Se não for tratada a tempo ou corretamente, a leishmaniose incuba e, posteriormente, destrói as partes do corpo que possuem cartilagem, como por exemplo, o nariz, lábios e garganta. A doença não é contagiosa. A equipe médica do Hospital das Clínicas (HC) que trata dos pacientes com leishmaniose confirma o número de casos na zona urbana.
A dona de casa Hilda Santos Andrade, 43 anos, descobriu que estava com a doença há 15 dias. Ela mora a cerca de 100 metros do parque e disse que foi picada pelo mosquito quando tomava o café da manhã na área de serviço de sua casa. Hoje, a dona de casa está com duas grandes feridas na perna esquerda e terá que tomar 40 injeções, duas por dia.
‘‘O que revolta é que não existem campanhas para alertar as pessoas sobre os riscos, principalmente os moradores vizinhos do parque, como é o meu caso. A Saúde tem que fazer alguma coisa para acabar com esses focos. E se uma gestante ou um bebê forem atacados? Eles não podem tomar as injeções e o que vai acontecer?’’, indaga Hilda.
Ela também reclama que foi orientada por agentes de saúde a colocar telas nas janelas porque, segundo eles, o inseto só ataca à noite, mas ela garante que foi picada pela manhã. ‘‘Para que tela se eu fui picada na lavanderia às 9 horas? Esse pessoal precisa desenvolver um projeto mais eficaz para evitar novos casos’’, disse.
A diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental, Mara Ferreira Ribeiro, disse que não há como erradicar o mosquito e que a melhor maneira de evitar a doença é ficar longe das matas, nos horários de risco. ‘‘A saída é a informação em saúde porque não se pode erradicar um mosquito silvestre para que não haja desequilíbrio no ecossistema. O problema maior é que cada vez mais as pessoas estão desmatando as florestas e se aproximando dos locais onde o mosquito vive’’, disse.
Mara disse que as visitas ao Parque Arthur Thomas podem ser feitas normalmente durante o dia. Ela garantiu que o mosquito só ataca à noite. Entretanto, a médica Rosana Oliveira Brogin, que faz parte da equipe do HC que trata pacientes com leishmaniose, disse que o mosquito também pode atacar durante o dia. ‘‘Os finais de tarde também devem ser levados em conta por quem frequenta ou mora próximo das matas. Na verdade, não há como saber ao certo os horários de risco’’, afirmou.
De acordo com a médica, as telas podem ajudar na prevenção da entrada do mosquito nas casas, assim como o uso de repelentes. O mosquito pica primeiro um animal do qual ele carrega o protozoário que acaba contaminando o homem. A picada é parecida com uma picada de pernilongo. A ferida junta pus, aumenta e demora para cicatrizar. A doença não apresenta sintomas e o tratamento é à base de injeções que são fornecidas pela saúde pública.
Segundo Mara Riberio, uma equipe com cinco agentes da Secretaria Municipal de Saúde percorre os distritos rurais para fazer a busca ativa da doença. Além dos agricultores, os agentes também tentam conscientizar pescadores e caçadores.
O mosquito transmissor da leishmaniose também é conhecido como birigui, cangalhinha e mosquito palha. Segundo os especialistas, o ideal é que as casas sejam construídas a cerca de 500 metros das matas. Nas propriedades rurais a indicação é de que os animais domésticas fiquem longe das casas pelo menos 100 metros.

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