Parque Nacional do Iguacu é a briga dos ambientalistas
Parque Nacional do Iguacu
é a briga dos ambientalistas
Arquivo FolhaTeresa Urban, autora do livroFolha - Como surgiu a idéia do livro?
Teresa Urban - A proposta do livro veio da Fundação O Boticário através de uma experiência da Fundação Mc Arthur que havia feito alguma coisa semelhante nos Estados Unidos, com conservacionistas. A idéia me pareceu excelente, acenando com a possibilidade de fazer uma recuperação com os atores vivos dessa história.
Folha - Por onde a senhora começou?
Teresa Urban - Eu saí a campo primeiro estudando a questão, tentando compreender como é que aconteceu a conservação (ou a não-conservação). O resultado desse esforço é a primeira parte do livro. Foi uma interpretação absolutamente pessoal, sem nenhuma pretensão acadêmica, dos fatos que marcam a história do Brasil do ponto de vista da relação com os negócios da natureza. Isso porque a natureza sempre foi um negócio, um bom fornecedor de matéria-prima desde a primeira árvore pau-brasil, que foi levada como amostra para pesquisas.
Folha - A história da devastação começa com o início da colonização?
Teresa Urban - O esforço da colonização tinha de ser recompensado. E à medida que, à primeira vista, não havia o que eles procuravam que eram os metais preciosos - forma mais rápida de produzir riquezas - então se dispuseram a descobrir o que rendia na terra descoberta. E o que rendeu foi o pau-brasil, madeira para a construção naval e rendia uma infinidade de coisas que eram levadas como penas, peles, baleia, plantas, raízes, sementes, cola de peixe, casco de tartaruga. Enfim, tudo que poderia ser usado no mercado europeu era exportado de forma indiscriminada.
Folha - Esse livro é um instrumento de pequisa?
Teresa Urban - Esse livro é uma ferramenta importante porque reúne num lugar só histórias até então um tanto dispersas. Essa pessoas (os cinco conservacionistas) têm muito a dizer e salvo algumas publicações específicas, que não chegavam ao público, todos produziram muito.
Folha - Os conservacionistas podem se considerar vencedores?
Teresa Urban - O meu sentimento é de que os conservacionistas estão entrincheirados nas unidades de conservação, brigando para que elas não sejam extintas. Porque só sobrou isso e é muito pouco e o Brasil é muito grande. O que repassa essa conversa é uma profunda tristeza. Eu tenho claro que terei que morrer esperneando para manter o mínimo de patrimônio natural. A essa altura não é nem mais um desafio, é uma necessidade.
Folha - Qual o foco das suas atenções no Paraná?
Teresa Urban - O Parque Nacional do Iguaçu está sendo destruído por uma picuinha regional, que é a Estrada do Colono. E esse parque era, de longe, o mais bem resolvido do País.
Folha - Qual seria a solução para a Estrada do Colono?
Teresa Urban - É fechar a estrada, recuperar a área imediatamente e desenvolver políticas adequadas à conservação.
Folha - Há muitos que defendem a abertura da estrada.
Teresa Urban - Por que são uns loucos. Não percebem o que estão fazendo. São loucos e irresponsáveis.
Folha - A senhora vê uma forma de reverter esse processo?
Teresa Urban - É tão óbvio. Está se causando um prejuízo diário e crescentes à biodiversidade do parque. Isso é um crime. Nós temos muito pouco, fora a Mata Atlântica e a Amazônia, não temos quase mais nada. O Parque Nacional do Iguaçu é a única representação desse tipo de floresta na Bacia do Prata inteira. Com que direito uma picuinha regional destrói milhares de formas de vida ainda não conhecidas e pesquisadas? Para fazer um atalho? As medidas são tão desproporcionais e nesse caso é tão escandalosa a afronta.
Folha - Essa questão deve ser resolvida com a comunidade ou num âmbito político?
Teresa Urban - Eu não atribuo à comunidade o direito de decidir o destino do parque. Cabe à autoridade pública fechar a estrada, fazer cumprir a ordem respeitando o patrimônio público. Isso é a base de qualquer sociedade democrática. E ao mesmo tempo, é preciso desenvolver, no entorno, políticas adequadas para que a população possa conviver com o parque. Eu não aceito nenhum argumento de que o parque prejudica a comunidade. O parque é muito maior do que o pequeno interesse regional. É um patrimônio da humanidade. Se o País não é competente para cuidar desse parque, então é de se preocupar com o que estaria acontecendo com os outros.





