Todas as segundas e quarta-feiras de manhã, um grupo de cerca de 40 mulheres da terceira idade se reúne na Praça Guilherme Massaro, que fica no coração do Parque Guanabara, Zona Sul de Londrina. Elas começam a chegar por volta das 7h30 para ter tempo de esquentar o corpo e colocar a conversa em dia antes da aula de ginástica começar, às 8 hs. A maioria do grupo mora do bairro, mas também são consideradas ''de casa'' as vizinhas dos bairros próximos como o Jardim Arco Íris e o Santa Rosa.
''Se alguém perguntar destes bairros, ninguém vai saber onde é. Aqui é tudo Parque Guanabara, é assim que a gente conhece'', explica Luiza Furlan Capobianco, 65 anos, participante do grupo da Terceira Idade. Sobre a escolha da praça, ela esclarece que é bonita, agradável e tranquila. ''Aqui a gente pode se encontrar e fazer exercícios sem se preocupar com o movimento e o trânsito'', diz.
Igual às mulheres, jovens e crianças também fizeram desta praça um espaço cativo para se encontrar durante os dias e finais de tarde. Os homens do bairro também têm seu espaço. A praça Antônio de Rezende, que fica perto da escola municipal Noman Prochet, não fica vazia. Ganhou até um campo de futebol e a comunidade já conta com uma escolinha para ensinar a garotada do bairro a dominar a bola. Todo domingo tem jogo correndo no campo e muita gente participando.
E tem mais. A Praça Tiradentes fica bem em frente ao Mercado Guanabara, margeando a avenida Higienópolis. Ali o ponto é democraticamente usado por todos; comércio e comunidade, embora seja a preferida para eventos.
O Parque Guanabara é assim: um bairro de praças, com clima de praça. É pequeno - tem cerca de 2 mil habitantes, tranquilo e verde. Aberto a quem quiser chegar para trocar idéias, conversar e fazer amizades. E como as praças, está cercado de um movimento que, inexplicavelmente, não interfere no ritmo dos seus moradores. Apesar do desenvolvimento que tem feito a região sul crescer em estrutura, novos bairros e comércio, o Parque Guanabara continua pulsando no mesmo ritmo calmo de sempre.
E haja movimento. Pelo bairro passa o trecho da avenida Higienópolis onde se concentram boates e bares que agitam a noite da cidade. Ainda circundando o Guanabara tem a avenida Madre Leônia Milito, uma das vias comerciais mais valorizadas da cidade. E não bastasse a alta concentração de restaurantes e lanchonetes, o Parque Guanabara é passagem praticamente obrigatória para quem segue para o maior shopping da cidade.
''O Guanabara é um bairro família. A gente realmente vive aqui. A maioria dos moradores está aqui há mais de 20 anos. Os vizinhos se conhecem e fazem questão de se encontrar e frequentar o bairro durante toda a semana'', conta Eunice Nagao. E os pontos de encontro preferidos acabam sendo as praças e o pequeno comércio interno. Ela e sua família moram no Guanabara há 25 anos e não se imaginam vivendo em nenhum outro lugar.
O bairro é tão receptivo que até o bar é ''familiar''. O bar do Paulo, batizado pelos clientes-amigos como ''Toca do Bode'' que fica no Mercado Guanabara, é prova de que até o comércio não resiste ao clima de ''bem viver'' que o bairro inspira.
Eloísa Nagao, proprietária, conta que o bar virou ''casa'' dos clientes. Eles ligam com antecedência para pedir os pratos que desejam - o próximo evento vai ser uma peixada. E fizeram do bar um ponto de encontro onde só entram homens. ''Mulher aqui, só esposas , namoradas e filhas e mesmo assim, mediante convite'', garante Nelson Zocchi, ovinocultor.
Mas os encontros não são só para jogar trucco e conversar. Na Toca do Bode acontecem também reuniões das lideranças do bairro para discutir problemas e definir ações para melhorar a qualidade de vida do Guanabara e região.

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