Parque faz o clima ficar suportável em Londrina
Osmani Costa
De Londrina
São ao todo 82 hectares, com milhares de árvores, dezenas de pequenos animais silvestres, centenas de aves, uma cascata cuja queda dágua tem 20 metros de altura, e uma grande represa com muitas espécies de peixes. A pescaria é proibida, mas as crianças podem se divertir andando nas águas de pedalinho. A visitação é gratuita e aberta ao público de terça-feira a domingo, sempre das 8 horas às 18 horas.
A radiografia é do Parque Arthur Thomas, que fica na zona sul de Londrina a somente 6 km do centro e é o maior parque público municipal da cidade. Criado em 1975 e aberto aos usuários desde 87, é também, sem dúvida, a área pública onde o meio ambiente é melhor cuidado em Londrina. Isto aqui é um paraíso. Nele, a gente está livre da poluição, do barulho, da insegurança, do perigo do trânsito e dos problemas do dia-a-dia, define a dona-de-casa Isaura de Lourdes Inocência.
Ela mora no Jardim Piza, no lado da margem direita do Ribeirão Cambé que forma a represa e corta todo o parque, abaixo do Lago Igapó 1. A dona-de-casa costuma levar seus netos menores, Evair e Márcia, para um passeio semanal no parque, que conta com pista de cooper medindo cerca de mil metros. No lado da margem esquerda ficam os jardins San Fernando, Monte Carlo, Vale Verde e Residencial Cambezinho.
Sob os cuidados técnicos e a guarda dos funcionários da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), o parque é inteiramente protegido por alambrado. Os primeiros 60 hectares do parque foram doados ao município pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), em 1975, já com o objetivo da criação de uma área de preservação permanente e lazer para a população.
Os outros 22 hectares foram sendo conseguidos a partir de 83, por meio de desapropriações efetuadas na vizinhança. Hoje, a mata cobre 66 hectares do parque, abrigando 92 espécies de árvores nativas da Floresta do Rio Paraná. Entre as principais estão a peroba-rosa, o pau-dalho, as paineiras, os cedros e diversas canelas.
A flora e a fauna deste parque são riquíssimas, dentro da difícil situação em que se encontra o restante da área urbana londrinense, comenta o biólogo da AMA Paulo Cezar Dolibaina, que atualmente trabalha em projetos para a revitalização dos fundos de vale da cidade. O parque é da maior importância para o ecossistema e o equilíbrio da temperatura na cidade, porque ele cria com a represa e a mata uma grande ilha de frescor; em contraposição à ilha de calor gerada no centro pelos prédios, o asfalto e fumaça dos veículos.
Pela mata que conta com trilhas calçadas o visitante pode encontrar diferentes espécimes de répteis, anfíbios, mamíferos e aves. Destacam-se os lagartos e cágados; sapos e rãs; mais de 100 macacos-pregos, capivaras, cutias e gambás; garças-brancas, jacus-açu, inhambus-guaçu, e saracuras. No lago, formado pelo represamento artificial do Ribeirão Cambé há lambaris, traíras, pirambebas, carpas e tilápias.
Pelas catracas do portão do parque passam, a cada final de semana, cerca de duas mil pessoas. Mas o parque também tem seus problemas, como admite o presidente da AMA Rubens Canizares. Falta divulgação, o londrinense não sabe que tem este belo local à sua disposição gratuitamente. Mas para aumentarmos o número de visitantes, temos antes que resolver a questão da infra-estrutura. Temos precariedade de banheiros, não contamos com lanchonetes, não temos um veículo para passeio interno das pessoas que não podem andar muito e precisamos de uma nova frota de pedalinhos para o lago.
Além disso, o leito da represa está sofrendo muito com o assoreamento, em consequência da terra que desce diariamente nas águas do Ribeirão Cambé e seus afluentes. Para dragar toda a terra, que já prejudica os pedalinhos e os peixes em alguns pontos, é necessária a contratação de equipamento pesado e caro. Estamos montando um projeto de recuperação da infra-estrutura do parque. Vamos em busca de parcerias com a iniciativa privada e de recursos públicos, inclusive internacionais, a fundo perdido. Em breve, os problemas serão resolvidos, garante Canizares, que assumiu a presidência da AMA há pouco mais de um mês.Represa e mata do Arthur Thomas criam uma grande ilha de frescor, que no verão combate o calor gerado pelos prédios, asfalto e fumaça dos carros
Josoé de CarvalhoPEDALANDO NA ÁGUARepresa do Parque Arthur Thomas abriga várias espécies de peixes e serve para o lazer dos visitantesIsaura de Lourdes: A gente está livre da poluição, do barulho, da insegurança, do perigo do trânsitoRubens Canizares, presidente da AMA: O londrinense não sabe que tem este belo local à sua disposição gratuitamenteLeito da represa sofre com o assoreamento, em consequência da terra que desce nas águas do Ribeirão Cambé e seus afluentes





