Curitiba
Um processo de indenização judicial permitiu ao Estado, através do Instituto Ambiental do Paraná, comprar a área de grande atração turística do Guartelá. O IAP depositou em juízo R$ 325 mil por 798,97 hectares localizados no município de Tibagi, distante 42 quilômetros de Castro e 242 quilômetros de Curitiba pela rodovia PR-340. A área será liberada para o IAP na próxima segunda-feira. O parque estadual será inaugurado dia 28 de junho.
Dois proprietários e um posseiro tiveram que entregar as terras que vão se transformar num parque de preservação ambiental. Bento Gomes Aleixo, Urbano Pupo Martins e o posseiro Olímpio Mainardes de Oliveira não concordaram com a primeira proposta do IAP de ceder parte da área em troca da exploração econômica de um camping, de uma lanchonete e de uma área para estacionamento.
De acordo com as informações do chefe das Unidades de Conservação do IAP, Maurício Savi, o IAP resolveu comprar a área do Guartelá por ser uma das áreas mais significativas de Campos Gerais - vegetação característica da região -, lugar próprio para o desenvolvimento da educação ambiental e para o fortalecimento do ecoturismo.
Com geografia acidentada a área do Guartelá não é agriculturável nem serve para a pecuária. As belezas naturais das cachoeiras e grutas fizeram com que o turismo desordenado invadisse o local. Um dos proprietários cobrava R$ 2,00 por pessoa que quisesse visitar o lugar.
Este turismo desordenado provocou degradação numa área usada como camping e nas trilhas para caminhadas. ‘‘Os turistas deixavam sempre lixo e cortavam a vegetação para fazer fogueiras. Além disso, os aparelhos de som produziam muita poluição sonora’’, conta Savi.
‘‘Tivemos que chegar ao ponto da desapropriação judicial por que os advogados não concordaram com as propostas do IAP. Mesmo que os advogados tentem algum recurso é praticamente inviável uma decisão contrária. Isso porque, um decreto de uso público está sempre acima do individual’’, explica Savi.
O Projeto do Parque Estadual do Guartelá comporta um Centro de Visitantes, o ordenamento do estacionamento fora da área de preservação, um Centro Administrativo e um Laboratório de Pesquisa Científica.
Todos os visitantes que forem ao Guartelá preencherão um cadastro com dados sócio-econômicos para que possa ser montado o perfil do turista e as estratégias de educação ambiental adotadas no parque.
As pesquisas científicas seguirão a linha conservacionista: estudo da flora dos Campos Gerais, qualidade dos recursos hídricos, catalogação das pinturas rupestres (da Pré-História), projeto do lobo-guará e um laboratório de ornitologia.
O nome Guartelá vem dos tropeiros e significa ‘‘guarda-te-lá que aqui bem fico’’, uma expressão usada durante a Revolta Constitucionalista de 1932. O Guartelá é também o sexto maior canion do mundo e é cortado pelo Rio Iapó, afluente do Rio Tubagi. O local foi descoberto em 1541 pelo capitão espanhol Álvaro Nunez Cabeça de Vaca, o mesmo que descobriu as Cataratas do Iguaçu.
As maiores atrações naturais ficam por conta da Cachoeira da Ponta de Pedra com mais de 200 metros de altura, do mirante, das pinturas rupestres, diversas quedas d’ água e da Gruta da Pedra Ume, usada antigamente pelos índios para afiar suas ferramentas.

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