Parque é inaugurado com 5 anos de atraso em Foz
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu Após cinco anos de atraso, o Governo do Paraná deve inaugurar hoje uma das obras mais polêmicas da administração Jaime Lerner (PFL). Às vésperas do fim do segundo mandato, o governador entrega o Parque da Barragem, um complexo de R$ 32 milhões (valores corrigidos), construído à margem do reservatório da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu.
Prevista para ser concluído em 1997 para ser usada na primeira e única edição dos Jogos Mundiais da Natureza, a estrutura tem uma área total de 315 hectares e canais artificiais com 4,8 mil metros de extensão, que ligaram o Lago Itaipu ao Rio Boa Vista (afluente do Rio Paraná), superando um desnível de 127 metros.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos acredita que, com o tempo, o canal vai permitir a subida dos peixes do Paraná ao reservatório. A prática foi interrompida com a construção da barragem da Itaipu Binacional. Das 80 espécies existentes na região no Rio Paraná, pelo menos 30 necessitam do canal para a piracema, conforme estudos de universidades.
Segundo o secretário José Antonio Andreguetto, o canal artificial é o maior do mundo para migração da fauna aquática, com dez quilômetros de extensão. Conforme ele, a ''obra de alta complexidade técnica'' vai restabelecer as condições de piracema e repossibilitar ''a manutenção genética das espécies''.
A inauguração do complexo turístico e ambiental, entretanto, é manchada por uma história de previsões não cumpridas e principalmente por suspeitas de desvio de verba pública. Os atrasos foram justificados por falta de recursos, troca de empreiteiras, falta de licença ambiental e até por mau tempo climático.
O ex-secretário estadual de Meio Ambiente Hitoshi Nakamura chegou a ser condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a devolver R$ 20 milhões aos cofres públicos o orçamento inicial da construção era R$ 11 milhões. Mas o réu entrou com recurso e foi inocentado por três votos contra dois com base num relatório do conselheiro Quiélse Crisóstomo, analisado em 31 de outubro deste ano.
O documento o livrou das denúncias de má gestão de dinheiro público. A responsabilidade recaiu sobre o ex-secretário do Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos, morto em acidente em 1998. O Parque da Barragem foi projetado num convênio entre as pastas de Nakamura e Santos. Atualmente, o caso é investigado pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público.


