Leões, pumas, jaguatiricas, gatos-do-mato, macacos, jacarés. Em um dos pontos turísticos mais famosos da cidade de Maringá, o Parque do Ingá, esses e outros animais silvestres, que chamam a atenção de quem vive em qualquer cidade, podem ser encontrados em um mini-zôo.
  No entanto, os animais do parque devem ganhar novo endereço em 2007, pois o plano de manejo que está sendo feito para o Ingá prevê a retirada do zoológico.
  De acordo com a bióloga Ana Christina de Faria, gerente do parque, os animais estão sofrendo devido à falta de espaço. ‘‘Melhoramos muito o zoológico nos últimos dois anos, mas ainda não está bom. Isso é um pecado, precisamos de um zoológico municipal’’, explicou.
  Para exemplificar a importância do espaço para os animais, ela cita o caso de uma macaca aranha, que vivia triste e passava o dia todo praticamente imóvel. ‘‘Quando o espaço onde a macaca vive dobrou de tamanho, o comportamento dela mudou completamente; hoje ela brinca o tempo todo’’.
  Atualmente, o parque tem 200 animais em cativeiro e o gasto com a alimentação dos bichos é de R$ 8,5 mil por mês. Somente o casal de leões consome mais de 10 quilos de carne bovina por dia.
  Vivendo praticamente impossibilitados de se exercitarem, em uma jaula quase toda concretada e de aproximadamente 40 metros quadrados, os leões impressionam pelo tamanho. A impressão é de que os felinos estão sendo bem cuidados, mas para quem acostumou-se a vê-los, pela televisão, sempre correndo nas savanas da África, o sentimento é de tristeza ao ver os bichos presos.
  De acordo com Ana Christina, a retirada do concreto do piso das jaulas, construção de abrigos de madeira e novos espaços para os animais são algumas das medidas tomadas pela direção do parque para melhorar a qualidade de vida dos bichos.
  Sobre o zoológico municipal, ela explica que, com a conclusão do plano de manejo do parque, em fevereiro ou março de 2007, começa a busca de parceiros da iniciativa privada, tais como universidades, para que Maringá tenha um novo zôo. ‘‘Todos os animais que vivem em cativeiro devem sair daqui já no próximo ano, permanecendo somente os de vida livre’’, finalizou Ana Christina.
  Além da falta de espaço para os animais do mini-zoológico, o Parque do Ingá enfrenta outro problema: o lago que ocupa 20% dos 47 hectares do parque está 1,5 metro abaixo do nível normal e secando lentamente.
  Segundo a direção do Ingá, o problema é causado por três fatores: impermeabilização da cidade, falta de chuvas e o aterro de uma nascente dentro do próprio parque.
  ‘‘Em volta do parque temos muitas ruas asfaltadas e casas que têm quase todo o quintal concretado, evitando que a água da chuva vá para o lençol freático e chegue ao lago. Sobre a obra que secou uma nascente dentro do parque, a intenção foi boa, mas faltou planejamento de quem a fez, estamos estudando o que fazer para resolver o problema. Uma das alternativas é captar água da chuva, filtrar e depositar no lago’’, explicou Ana Christina de Faria.
  O lago abriga espécies de peixes como tilápia, lambari e piau e também é ‘‘utilizado’’ por capivaras, garças e várias outras espécies de aves. O Parque do Ingá recebe um milhão de visitantes por ano. A entrada é gratuita.

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