Especial para a Folha

Arquivo FolhaPreservaçãoAmpliação do Parque Nacional do Superagui vai proteger espécies ameaçadas de extinção e permitir pesquisas farmacológicas com produtos naturaisA Mata Atlântica brasileira está mais protegida desde o dia 20 de novembro, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a lei que ampliou em quase 50% o tamanho do Parque Nacional do Superagui, situado no Litoral Norte do Paraná. O aumento da área da reserva de 21 mil para 30 mil hectares, comemorado por entidades ambientalistas e órgãos ligados ao meio ambiente, havia sido proposto pelo deputado federal Luciano Pizzatto (PFL-PR) em 1989.
Pela nova lei, o parque passa a englobar também a Praia Deserta, o setor norte da Ilha de Superagui, as ilhotas Pinheiro e Pinheirinho e uma área continental de planície adjacente ao Canal do Varadouro, próxima à divisa entre Paraná e São Paulo. Os limites antigos incluíam apenas a Ilha das Peças e dois terços da Ilha de Superagui.
O professor Miguel Milano, que dá aulas sobre conservação da natureza na Universidade Federal do Paraná (UFPR), classificou a ampliação como de ‘‘extrema importância’’, porque a Mata Atlântica é hoje o ambiente natural brasileiro mais ameaçado. Segundo Milano, as melhores áreas remanescentes da Mata Atlântica - que hoje se restringe a 8% da extensão original - estão localizadas no norte do Paraná e no Sul do São Paulo.
A proteção à biodiversidade também foi destacada pelo professor, que qualificou a região como de grande potencial econômico, farmacêutico e turístico. ‘‘A utilização de matérias-primas oriundas de plantas e animais movimenta somente na indústria farmacêutica mais de US$ 100 bilhões em todo o mundo, e o Brasil sozinho detém 15% das reservas mundiais. A realização destas pesquisas de uma forma que não danifique o meio ambiente, para garantir que tudo não se perca, é fundamental’’, disse Milano.
Para facilitar a preservação da reserva ecológica, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai começar no início do próximo ano a demarcação da área, o que deve levar 12 meses. O Ibama já está preparando também um novo plano de manejo para a região. O superintendente regional do órgão no Paraná, João Nazareno Yurk, informou que a ampliação do parque veio resolver um problema técnico criado pelo projeto inicial - que havia deixado áreas importantes de fora de reserva. ‘‘Agora está impedida qualquer especulação imobiliária na região, ao mesmo tempo em que vai se proteger o habitat do papagaio-de-cara-roxa e do mico-leão-decara-preta, espécies ameaçadas de extinção.’’
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vê no resgate cultural e no ecoturismo uma possibilidade de impulsionar o desenvolvimento da região. Para o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, José Tadeu Motta, a política do Estado para a região prevê não só a preservação mas também a permanência dos moradores, que vivem basicamente da atividade pesqueira. Os núcleos habitacionais serão isolados dentro da reserva, e estão sendo feitos investimentos em infra-estrutura para evitar, por exemplo, que os habitantes destruam a mata para produzir lenha. ‘‘Eles poderão continuar na área, desde que não destruam o ecossistema’’, explica Motta.
‘‘Dentro deste contexto preservacionista, hoje já existe até energia elétrica captada através de baterias solares para não danificar o meio ambiente, assim como já está em funcionamento a Escola das Águas, que além do currículo normal oferece aulas sobre atividades ligadas ao mar.
Outras providências incluem infra-estrutura voltada ao ecoturista e o resgate de tradições culturais locais, como a dança do fandango.

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