A possibilidade do Parque Nacional do Iguaçu perder o título de Patrimônio Natural da Humanidade, concedido pela Unesco, por causa da reabertura ilegal da Estrada do Colono, não foi discutida na 24ª Reunião da Comitê de Patrimônio, que está sendo realizada na Austrália, garantiu, ontem, o assessor da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), no Brasil, Luciano Milhomem.
‘‘Esse assunto nem foi lembrado. O nome do Iguaçu nem vai aparecer nesta discussão. O Parque continua na Lista de Patrimônios em Perigo’’, completou. O evento termina no dia 2 de dezembro. Segundo ele, os parques nacionais abordados pelo Comitê foram as reservas do Jaú, no Amazonas, e do Pantanal, entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ambos entraram na relação de patrimônios anteontem.
Para o assessor, a perda definitiva pode acontecer na próxima sessão, em 2001. No entanto, destacou o fato de nenhum dos 630 títulos concedidos desde 1972, quando foi criada a convenção de proteção do patrimônio mundial, ter sido retirado do sítio. ‘‘Não existe jurisprudência’’, esclareceu Milhomem. Dos 14 certificados recebidos por sítios brasileiros – cinco naturais e nove culturais – o do Parque Nacional do Iguaçu é único na lista em perigo.
Ontem, completou um ano que o parque entrou na lista de Patrimônios da Humanidade em Perigo depois da reabertura do trecho de 17,6 quilômetros da Estrada do Colono que corta a floresta. O caminho, reaberto ilegalmente em janeiro de 1998, liga as cidades de Capanema, no Oeste, a Serranópolis, no Sudoeste, encurtando a distância entre as duas regiões em 150 quilômetros.
A reabertura tem gerado protestos de setores da sociedade, em especial de ambientalistas e do Ibama. Eles denunciam prejuízos à imagem do parque caso a perda do título seja concretizada, cujas consequências são a degradação da floresta, a diminuição de turistas e a criação de barreiras para futuros empréstimos pretendidos pelo governo federal. A União pode perder cerca de US$ 300 mil em verbas do exterior destinadas a conservação ambiental.
Para acabar com ameaça, o governo brasileiro deveria ter fechado a estrada. Como isso não aconteceu – e o funcionamento sendo discutido na Justiça – o parque continua na lista de Patrimônio da Humanidade em Perigo.

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