Paróquia pede doações para grevistas
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Figueira Sem receber o salário há quase dois meses, funcionários públicos de Figueira contam com a ajuda da comunidade para continuar sobrevivendo. Os servidores estão em greve desde segunda-feira em protesto pelo atraso no pagamento. Ontem, os comerciantes voltaram a fechar as portas, por uma hora, em apoio aos trabalhadores. Eles também não receberam a primeira percela do 13º salário.
O auxiliar de serviços gerais Elias Izidoro Cordeiro, 65 anos, materializa as dificuldades vividas por muitos outros servidores. Sem dinheiro, ele está com vergonha de pedir mais crédito no comércio local para comprar comida e remédios. ''Estamos sem nada em casa. Toda a vida levei minhas contas em dia. Está difícil'', desabafou.
Cordeiro sustenta a si próprio e à esposa Ziza, 61, que tem câncer, com um salário mínimo. Para comprar os remédios necessários ao tratamento, ele conta com a ajuda de amigos. A morfina, que alivia a dor da paciente e deveria ser cedida pelo sistema público de saúde, é enviada por um médico da cidade vizinha de Curiúva. ''Se fosse comprar todos os remédios, gastaria metade do meu salário'', disse.
A situação enfrentada pelos funcionários refletiu nas atividades da Paróquia Senhor Bom Jesus. ''O número de pessoas que vêm pedir ajuda aumentou muito neste final de ano'', disse o responsável pela paróquia, padre Édino Reimão de Mello. No domingo, ele pretende pedir ajuda da comunidade, durante a missa, para amenizar as principais necessidades dos trabalhadores mais carentes. ''Pedirei todo tipo de doação.''
Regina Sueli Garcia de Paula, coordenadora paroquial da Pastoral da Criança do município, também observou crescimento no número de famílias que enfrentam falta de alimentos entre o público atendido pela pastoral. Apesar da entrega de cestas básicas não fazer parte dos objetivos da entidade, ela solicitou ajuda à Pastoral Social para montar kits de alimentos. ''A situação está uma calamidade'', considerou.
A presidente da Associação dos Servidores Municipais de Figueira, Neuza dos Santos, informou que a greve continua até o pagamento dos salários. ''O dinheiro sairia na segunda-feira, mas parece que houve pane nos computadores da prefeitura e o pagamento vai atrasar ainda mais. Enquanto isso, os servidores vivem uma situação humilhante'', afirmou.
A reportagem tentou falar com o prefeito Jaime Gino dos Santos (PFL), mas ninguém atendeu o telefone em sua residência e na prefeitura. Em entrevista à Folha anteontem, o procurador jurídico do município, Fábio Antônio de Souza, havia informado que os salários e o 13º seriam pagos até o dia 20.


