Parodiando o sexo
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Cambé - O estudante Thiago, 14 anos, teve uma aula diferente ontem. Ele e outros estudantes de Cambé (Norte) participaram de gincana da sexualidade, cujo objetivo é discutir o assunto por meio de entrevistas, seminários, palestras filmes e paródias. ''Na gincana a gente aprende a sexualidade de forma divertida'', afirmou o adolescente, que parodiou uma música de Tim Maia com os colegas do Núcleo de Aprendizagem para Futuro (NAF).
''Digo ao mundo inteiro não quero problema, quero amor seguro, na hora de dar duro. É bom se prevenir na hora de agir ou a Aids vai pegar'' foi o refrão da música que ele cantou com a estudante Maria Carolina, 15 anos. Para ela, que adorou preparar um seminário sobre Aids, a semana esclareceu as dúvidas sobre doenças sexualmente trasmissíveis (DSTs). ''Para mim, o que fica da gincana é faça sexo com camisinha ou não faça'', ensinou.
Ana Claudia, 14, e Jéssica, 15, são integrantes do Núcleo de Educação Social e Profissional (Nesp) e também participaram pela primeira vez. Para Ana Claudia, que aprendeu sobre doenças e métodos contraceptivos nas palestras. Jéssica preferiu dividir a informação que já tinha com outras pessoas.
A gincana da sexualidade mobilizou centenas de jovens durante toda a semana. Conforme o coordenador Robson Renato Rodrigues, diretor do departamento de atenção e prevenção em DST/Aids da secretaria municipal de Saúde, o evento, que está na quinta edição, é referência em trabalhos de prevenção com adolescentes.
Este ano, o tema em destaque foi a relação entre sexualidade e acessibilidade, além das diferentes DSTs e métodos contraceptivos. Em entrevistas nos bairros onde vivem, os jovens, divididos em 14 grupos, questionaram adolescentes grávidas ou casais que engravidaram na adolescência sobre como ficou a vida após a chegada do bebê. Os resultados surpreenderam os pesquisadores, em especial, o número de adolescentes de 13 a 15 anos que engravidaram na cidade.
A pesquisa, que ouviu cerca de cem adolescentes de baixa renda, apontou ainda a dificuldade das mães em cuidar dos filhos, já que a maioria delas precisou parar de estudar para trabalhar e sustentar a criança. Muitas não se casaram com os parceiros e ainda moram com a família e a maioria perdeu o vínculo com o pai da criança, que também não mantém contato com o filho. Em muitos casos, os bebês ficam com os avós ou em creches enquanto a mãe trabalha.
Após conhecerem a realidade local e discutirem a sexualidade em pessoas portadoras de deficiência física ou intelectual, debatendo acessibilidade, preconceito e bullying, os grupos criaram jogos educativos e paródias musicais.


