Curitiba - O padre Leocádio Zytkowski, da Paróquia da Barreirinha, afirmou ontem que os fiéis do bairro devem realizar um protesto na próxima semana, caso a Prefeitura de Curitiba não libere o funcionamento da rádio corneta, que funcionava através de um sistema de alto-falantes na igreja.
Na última quarta-feira, uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente notificou a paróquia, após realizar uma medição sonora no local que constatou volume acima dos 55 decibéis permitidos. Segundo o superintendente de controle ambiental, Mário Sérgio Rasera, o padre já foi condenado em caráter liminar em uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público (MP) estadual que o denuncia por produzir poluição sonora. À prefeitura, caberia apenas verificar se as limitações de volume estariam sendo obedecidas. ''Essa situação está transitada em juízo, tanto ele quanto nós temos que obedecer o juiz'', diz Rasera.
O padre diz acreditar que a decisão tem um viés político, motivada por protestos feitos através da rádio corneta. ''Basta fazer reivindicação no bairro que eles multam'', reclama.
De acordo com Rasera, a decisão liminar não impede o uso da rádio, apenas regula seu volume. No entanto, na opinião do padre, seria ''humanamente impossível'' transmitir o programa sem ultrapassar o limite sonoro, ''Mesmo com o sistema (de alto-falantes) desligado, o som ambiente já é de 55 decibéis'', alega.
Em protesto no último domingo, a comunidade realizou um enterro simbólico da rádio, colocando em um caixão um alto-falante, o microfone, o caderno usado para anotar os recados do povo, o alvará de funcionamento da rádio e as multas já aplicadas. Segundo Zytkowski a rádio corneta atua há 44 anos, com programas diários de somente dez minutos, nos quais são veiculadas músicas, mensagens religiosas e de utilidade pública, como oferta de vagas de empregos, documentos perdidos, pessoas desaparecidas, notas de falecimento, etc.
Apesar dos serviços prestados, já houve reclamações de moradores próximos contra a rádio. Segundo o padre, eles já teriam encaminhado cartas ao MP e a um bispo pedindo providências contra o programa. ''Não consigo entender, nunca passou de dez minutos'', lamenta.

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