Parigot de Souza II é 'bombardeado' pela chuva
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Buracos enormes, placas de asfalto espalhadas por todos os lados, tampas de galerias jogadas a metros de distância da origem: não, o que se vê não é um cenário de guerra e sim o resultado do vendaval que atingiu a Rua Valdir de Azevedo, no Conjunto Parigot de Souza II, na Zona Norte de Londrina, no último fim de semana.
Angelita Zacaria da Silva, pioneira no bairro, é dona da última casa da rua e é também a que mais sofre com a chuva.''A água vem da avenida e invade a casa da gente, parece um bombardeio. Você briga mas é duro de resolver. É só promessa e ninguém faz nada'', lamentou a moradora, contando que já brotou até mina d'água no quintal da casa dela.
Deuzuita Maria de Jesus da Silva também vive no Parigot II desde os primórdios do bairro e foi uma das primeiras moradoras a fazer abaixo-assinados e cobrar providências do Município. Depois de ter a casa inundada por três vezes e perder móveis e colchões, ela derrubou o antigo portão, construiu um muro no lugar e fez uma entrada menor para a casa, que fica na Avenida Saul Elkind.
Como os vizinhos, ela colocou uma chapa de ferro no portão para conter a entrada da água. ''Uma enxurrada grande quebrou o portão e tive que fazer um novo com uma chapa ainda mais resistente'', declarou a moradora, que fica ''com o coração na mão'' toda vez que chove. ''Não saio de casa, não passeio, não viajo mais. A gente paga o imposto certinho, não deve nada, mas fica sofrendo. Até cachorro morto a chuva traz para dentro da casa da gente'', completou Deuzuita.
Revoltados, os moradores resolveram procurar a Prefeitura na manhã de ontem para reivindicar a reforma do asfalto e a construção de um sistema de drenagem que evite outras catástrofes com a da última sexta-feira. ''Ligamos para a Prefeitura o fim de semana todo, mas não recebemos uma visita sequer'', disse a presidente da associação de moradores, Andrea Lúcia Capello, que só conseguiu falar com o secretário de Obras no final da manhã.
Segundo ela, há mais de um ano os moradores têm pedido melhorias para a via. Durante a reunião, o secretário Aloysio Crescentini de Freitas explicou que o processo licitatório para a construção de galerias de água pluvial no bairro já está em processo de finalização e que as obras devem ter início no final deste mês.
''Ele falou que é uma obra grande e demorada e que custará quase R$ 500 mil'', informou Andrea, que apresentou cópia do projeto arquitetônico aos moradores durante reunião no centro comunitário, na tarde de ontem. ''Era isso que a gente estava procurando. O secretário foi bastante franco e até passou documentos para a gente'', avaliou a presidente do bairro. Conforme ela, assim que o tempo firmar, a Prefeitura irá limpar o estrago feito pela chuva na rua.
O vendaval do fim de semana atingiu principalmente as zonas Norte e Sul da cidade. No sábado, moradores do assentamento Shekinah, no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte), passaram a madrugada tentando retirar a lama que invadiu as casas. A forte enxurrada entupiu as bocas-de-lobo alagando ruas e casas. A tubulação da rede de esgoto não suportou a quantidade de água e fezes espalharam-se pelo asfalto. Chamados de queda de árvores e muros e destelhamentos mobilizaram a Defesa Civil.
Em Ibiporã, o vendaval causou deslizamento de terra, enquanto em outros municípios do norte paranaense, como Sertanópois, Bela Vista do Paraíso e Primeiro de Maio, a queda de árvores sobre a rede elétrica deixou centenas de famílias sem luz no fim de semana, principalmente na Zona Rural.
Conforme dados da Copel, em Ibiaci, distrito de Primeiro de Maio, os moradores ficaram sem luz até às 17 horas de ontem, quando funcionários da Companhia finalizaram a reconstrução da rede elétrica. O vento derrubou árvores sobre pelo menos 30 postes de luz e a Copel precisou mobilizar 30 funcionários para dar conta do trabalho.
Já em Londrina, o estrago não foi tão grande, pois foram poucos os registros de rompimento de cabos na cidade, segundo informações da assessoria de imprensa da companhia.
Dados do Sistema Metereológico do Paraná (Simepar) apontam que a região de Londrina foi a mais atingida pelos temporais. A chuva acumulada nos primeiros dez dias de novembro já atingiu a média histórica para a época, que é de 120 a 170 milímetros. Conforme o Simepar, a frente fria afastou-se do Paraná no último sábado e a previsão é de dias sem chuva, mas com céu nublado em todo o Estado.


