Paredes descascadas, banheiros precários e vidros quebrados. Essa é a situação do Centro Comunitário do Conjunto Habitacional Parigot de Souza 2 (zona norte de Londrina). Por causa da situação do prédio, a comunidade do bairro já não conta mais com o espaço e lamenta a falta de ações sociais e de lazer que poderiam acontecer no local. A falta de espaços para lazer, aliás, é a maior deficiência do bairro e motivo de preocupação para os moradores, temerosos do aliciamento dos jovens pelo tráfico de drogas.
Nas três praças do bairro não existe parque infantil. Em uma delas, a única quadra de esportes nem a escola da comunidade tem uma quadra oficial e improvisa no pátio está sem aros para a prática de basquete e as cercas estão bastante danificadas. ''Aqui o lazer é zero, os jovens não têm o que fazer'', lamenta o comerciante Manoel Barros Bezerra, dono de um mercado em frente a uma das praças do bairro, onde os adolescentes se juntam.
Sem a opção das quadras, o centro comunitário poderia ser o espaço ideal para implantar projetos sociais e de lazer, mas há muito tempo o local só abriga velórios de quem se dispõe a enfrentar a precariedade do prédio, segundo os moradores. ''Nem lembro mais, mas acho que última atividade que teve lá foi a festa das crianças do ano passado; nem dá para fazer nada mesmo, tá tudo abandonado e até a energia foi cortada'', reclama a dona de casa Léia Pinto Alves.
A presidente da Associação de Moradores do Parigot de Souza 2, Eloísa Helena da Silva, admite os problemas e critica a morosidade do Executivo em aplicar os projetos discutidos no Orçamento Participativo há dois anos. É o caso da reforma do centro comunitário.
Segundo ela, a reforma encabeça uma lista de pedidos da comunidade entregues à assessoria do prefeito há cerca de duas semanas, com 972 assinaturas, ainda sem resposta. Entre os pedidos está também a inclusão do bairro no Rede da Cidadania programa da Secretaria de Cultura que viabiliza prática cultural na periferia. ''Temos muita necessidade de projetos assim, sabemos que a droga tá invadindo e todo dia tem gente morrendo por causa disso'', diz.
O secretário de Cultura de Londrina, Bernardo Pellegrini, afirmou que há possibilidade do bairro ser incluído na rede a partir do segundo semestre, quando ocorre a expansão do programa que hoje atende cerca de seis mil pessoas. ''Notamos o aumento da demanda e estamos tentanto possibilitar a inclusão de mais locais, mas essas decisões precisam ser discutidas nos conselhos de cultura, a comunidade precisa ser o interlocutor'', afirma.
Já o secretário de Obras, Aloysio Crescentini, diz que espera receber o documento enviado pela associação para tomar estudar o caso. ''Se for possível faremos'', promete.

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