Parentes vão processar empresa
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domingo, 17 de novembro de 2002
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
Dor e revolta marcaram os velórios de algumas vítimas do acidente de ônibus que deixou cinco mortos e 36 feridos na madrugada de sexta-feira, no km 38 da BR-277, em Morretes. A mãe do estudante Gustavo José Reis Oliveira, de 9 anos, morto no acidente, Sueli Aparecida Reis afirmou ontem que quer justiça. ''Não quero indenização, nada vai pagar a vida do meu filho. Mas é preciso haver uma punição. Não é possível uma empresa colocar um ônibus sem condições de andar. Eles estão transportando gente!'', desabafou.
Sueli contou que a viagem era presente de aniversário de Gustavo, que completaria 10 anos no próximo dia 23. ''Poderíamos estar lá na praia brincando e agora estou aqui com ele morto'', disse. Sueli também estava acompanhada do filho mais velho, Jonata, de 14 anos, que sofreu algumas escoriações. Ela conta que na hora do acidente Gustavo estava ao seu lado. ''Mas depois que o ônibus tombou, eu o perdi, não encontrava no meio das ferragens, escapei por um buraco na lataria e quando consegui ajuda ele já estava morto.''
O cunhado de Sueli, Vicente Magalhães, que foi a Curitiba providenciar o traslado do corpo afirmou que a empresa tratou com descaso o acidente. ''Eles não nos avisaram do acidente, foi minha cunhada que nos ligou'', comentou. Ele afirmou ainda que as vítimas que foram liberadas pelo hospital também ficaram desamparadas. ''Vi gente enfaixada no gramado do hospital, apenas com cobertor corta-febre cedido pelo hospital sem nenhuma assistência da empresa'', disse.
Magalhães disse ainda que a empresa não tem seguro obrigatório, e segundo informações recebidas de policiais rodoviários federais que atenderam o caso, o veículo estava totalmente irregular. ''Os políciais me contaram que o ônibus não estava licenciado, o que vai impedir que as vítimas recebam o seguro obrigatório'', afirmou. Ele observou, no entanto, que o dono da empresa bancou as depesas com o velório.
O filho de outra vítima fatal, Maria do Carmo Stock Silva, Fernando Alves da Silva, afirmou ontem durante o velório da mãe que pretende acionar a empresa na Justiça. ''A empresa não tinha condições de colocar um ônibus velho como aquele para viajar'', observou. O genro da vítima, Gilson Aparecido de Lima, que também estava no ônibus, junto com a esposa Eliane e dois filhos, afirmou que mais do que o problema mecânico, o que o motiva a ir à Justiça é o descado da empresa. ''Ficamos perdidos em Curitiba, não conheço nada lá e tive que correr atrás de tudo sozinho, bancar transporte para providenciar documentos para liberar o corpo'', afirmou. ''Só depois de brigar muito pelo telefone é que a empresa mandou transporte para o traslado dos corpos e dos feridos'', disse.
O corpo de Geralda de Souza não havia chegado em Londrina até o início da tarde. Os parentes tiveram problemas de documentação para liberar o corpo no IML de Curitiba. A previsão era de que o corpo chegaria no final da tarde.


