Josoé de CarvalhoSantiago: receio de vingançaInconformados com a impunidade de quem cometeu crimes - notadamente os contra a vida, através de homicídios ou latrocínios -, familiares de vítimas da violência tentaram, nos últimos anos, criar associações, comitês e outras entidades, com o objetivo de pressionar as autoridades policiais e a Justiça no caminho do julgamento e condenação dos acusados.
Nas décadas de 70 e 80, durante a vigência do regime militar, este papel foi desempenhado pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), que trabalhou também arduamente pela anistia aos exilados políticos e pela redemocratização do País. Alcançados estes objetivos, o CDDH foi praticamente extinto no início desta década.
Em 1994, inconformado com o assassinato de sua irmã Maria Neusa, o então assessor parlamentar da Câmara Municipal, Antônio José Santiago, lançou a idéia da criação de uma Associação Londrinense de Parentes de Vítimas de Crimes Insolúveis. Em 95, foi a vez da dona-de-casa Aparecida Lima Borges - cujo filho Cláudio César fora assassinado - tentar criar a Associação de Famílias Vítimas da Violência em Londrina.
‘‘Não aguento mais ver o assassino de meu filho solto pelas ruas, passeando livremente pela Cidade, inclusive na frente da minha casa’’, afirmou, na época, a dona-de-casa Aparecida Borges. ‘‘Temos que nos organizar para dar um basta a esta situação de violência que só tem piorado a cada dia.’’
Na opinião de Antônio Santiago, a idéia e os projetos não prosperaram porque as famílias das vítimas têm medo de represálias dos criminosos que não foram condenados e, portanto, não estão presos. ‘‘Na época, apareceram várias pessoas interessadas, mas com o tempo elas foram sumindo, parando de comparecer às reuniões. As famílias têm receio de vingança, de outras mortes acontecerem. Vão se resignando, se acomodando, dizem que foi ‘vontade de Deus’ e se conformam.’’
Santiago diz que a associação atuaria como um instrumento político de pressão sobre as autoridades, sempre cobrando a elucidação dos crimes. ‘‘Eu não me conformo: já faz mais de quatro anos que minha irmã foi morta com um tiro no coração, dentro da casa dela, e até hoje a polícia não descobriu o responsável’’, afirma.
‘‘Sei que a polícia tem dificuldades materiais e falta de investigadores, mas com um pouco de esforço ela poderia ter encontrado o assassino. Enquanto isto não ocorre, ele está aí solto pela Cidade, pondo em risco a vida de outras pessoas. É um absurdo.’’
Osmani Costa

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