‘‘As vezes eu acho que ela vai entrar por aquela porta e dizer que está tudo bem’’, diz Sueli Leal Barbosa, de 22 anos, prima de Elisângela. ‘‘Eu cheguei a sonhar que ela aparecia e dizia que agora ela estava bem’’. Os parentes da estudante de Elisângela Francisco da Silva, ainda não acreditam na morte da garota, identificada pelo polegar direito, como uma das vítimas do maníaco do Parque do Estado.
Elisângela morava, havia dois anos, com a tia Geralda Leal Barbosa, mãe de Sueli, e de outra prima da garota, Solange, num apartamento de classe média no bairro do Campo Limpo, zona sul.
Elisângela fazia a 7ª série na Escola Estadual Amador Saporito Augusto, no Campo Limpo. Desde janeiro frequentava uma pista de patinação do Shopping Center Eldorado.
‘‘Nós passeávamos todos os fins de semana no shopping’’, explicou a estudante I.S.M., de 16 anos, amiga inseparável de Elisângela. ‘‘Ela costumava paquerar os garotos que patinavam com a gente, mas parecia ser muito inocente’’. O principal suspeito da polícia de ser o maníaco do parque, o motoboy Francisco de Assis Pereira, também gostava de patinação.
No dia 9 de maio, Elisângela pediu que a prima a levasse de carro ao shopping. Ela se encontraria com a amiga I.S.M. naquela noite. Saiu de casa com apenas R$ 13,00 e não levava documentos.
Vestia uma jaqueta jeans, calça bege e uma blusa preta. Por volta das 18h30, a prima deixou-a na porta do shopping. Elisângela disse que não iria demorar, pois já havia arrumado a sacola para viajar a Londrina, no dia seguinte. A garota pretendia passar o Dia das Mães na casa dos pais. Despediu-se da prima e entrou no centro de compras.
I.S.M. diz ter esperado por Elisângela no shopping até as 22 horas. Ela não apareceu. Na semana passada, seu corpo foi encontrado no Parque do Estado, na zona sul. Ontem, ao remexer na sacola de viagem de Elisângela, as primas surpreendaram-se com a frase escrita na embalagem do perfume que ela levaria no passeio: ‘‘Só coisas boas me acontecem. Com certeza!’’

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