A proibição de visitas na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, causou revolta nos familiares dos presos. Os parentes devem realizar uma concentração a partir das 7 horas de hoje em frente a PCE para pressionar a Polícia Militar a rever a posição.
Há uma semana, uma rebelião (a segunda em quatro meses) mudou a rotina da PCE por 86 horas. Com alegações de falta de segurança, o comando da PM que assumiu o controle do complexo por 15 dias, decidiu na sexta-feira cancelar a entrada de parentes na penitenciária.
‘‘Nós achávamos que a visita iria acontecer porque os verdadeiros amotinados já foram transferidos’’, disse a enfermeira Jussara Correia dos Santos, mulher de um detento, referindo-se aos 16 internos que comandaram o motim, encerrado na quinta-feira com a transferência deles para outros Estados e a libertação dos sete agentes penitenciários mantidos como reféns.
Uma das preocupações dos familiares é verificar se os presos sofreram ou não agressões depois que os policiais militares entraram na PCE na tarde de quinta-feira.
‘‘Não é justo proibir as visitas. Quero me certificar que eles estão bem’’, afirmou Juraci, que tem um sobrinho cumprindo pena na PCE e pediu para não ser identificada.
Segundo ela, o próprio secretário de Segurança Pública do Estado, José Tavares, assegurou a visita de domingo durante as negociações.
A vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado, Sandra Márcia Duarte, disse que as visitas poderiam ser permitidas. Ela lembrou que na rebelião passada, em junho, quando os rebelados destruíram quase todo o complexo, as visitas foram liberadas. ‘‘A polícia tem um contingente adequado para garantir as visitas’’, afirmou.
Uma das medidas que teriam condições de ser adotadas seria a limitação do número de sacolas e de pessoas no interior da PCE. ‘‘Se a PM tiver vontade política, tem todos os meios para autorizar as visitas, nem que permita pelo menos a visita de um parente para cada preso’’, comentou Sandra.
A enfermeira Jussara dos Santos, que quer visitar o marido, considerou que a proibição é uma ‘‘represália’’. ‘‘O tumulto lá dentro já acabou. O que estão fazendo é um abuso. Estamos desesperadas. As famílias não erraram e estão pagando muito alto com esta proibição’’.

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