Os mortos no incêndio no Canecão Mineiro, na região central de Belo Horizonte, na madrugada de sábado, foram enterrados ontem pelos parentes, inconformados com a falta de segurança da casa de shows populares. A tragédia resultou em seis mortes e 341 pessoas feridas.
Apesar da insegurança da casa - que não tinha saídas de emergência ou hidrantes-, nenhuma autoridade policial, do Corpo de Bombeiros ou da prefeitura, quase 40 horas depois do acidente, sabia dizer se o Canecão Mineiro funcionava legalmente.
Nem o advogado Gilson Marques de Azevedo, contratado pelos donos do Canecão, sabia se o estabelecimento tinha o alvará de funcionamento.
''Ainda não sei se a casa estava com o alvará em dia e se tinha seguro. Essas questões só vou poder responder quando estiver com eles'', disse Azevedo. Os proprietários não haviam aparecido até a tarde de domingo.
A Polícia Civil deve instaurar amanhã na Delegacia de Vigilância Geral, com acompanhamento do Ministério Público, o inquérito policial. Os peritos recolheram amostras de materiais para análise química, que vai indicar a causa do incêndio.
A provável causa, segundo as testemunhas, foi uma cascata de fogos de artifício sobre o palco, instalado dentro do Casarão Mineiro, cujas paredes eram revestidas de espuma, gesso e madeira. Sindicância da prefeitura, que deve ser concluída na quarta-feira, deverá dizer se a casa tinha alvará e projeto de segurança.
O Corpo de Bombeiros não tem laudos de fiscalização do Canecão Mineiro, que tinha área de aproximadamente 2.000 metros quadrados. O único projeto analisado naquele endereço foi o de um kartódromo, em 1996. Depois disso, funcionou no local outra casa noturna, o Trem Caipira. Os atuais donos abriram o Canecão havia pouco mais de quatro meses.
Pelo menos 62 pessoas continuam internadas em sete hospitais de Belo Horizonte, sendo 12 no setor de grandes queimados e outros sete em CTIs (Centro de Tratamento Intensivo) de quatro hospitais.

mockup