Paredes não têm padrão de segurança
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Paulo Ubiratan 
O perito do Instituto de Criminalística Geraldo Gonçalves Filho prometeu entregar na segunda-feira ao juiz corregedor Roberto Correia do Vale o laudo definitivo das situação dos Distritos Policiais de Londrina. Ontem à tarde técnicos estavam fazendo a perícia nas paredes e estruturas das celas.
Geraldo Filho adiantou à Folha que as primeiras amostragem técnicas apuraram que os prédios construídos não correspondem ao que apresentam as plantas originais e estão fora dos padrões de segurança. Ainda não temos a metragem correta da espessura das paredes, mas já podemos avaliar que estão muito aquém da metragem que os consturores colocaram no papel.
Além da avaliação estrutural dos prédios dos distritos, principalmente das celas, o laudo final vai avaliar o grau de risco que os policiais civis se submetem cuidando dos presos, além da insalubridade e a supelotação nas celas. O laudo foi solicitado pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), depois da fuga de 44 detentos do 3º DP, sábado passado.
O fato revoltou os policiais civis de Londrina, que são desviados de suas funções para vigiar presos. O problema vem se arrastando há mais de dois anos, quando foi desativada a Cadeia Pública e os presos provisórios (que esperam julgamento ou recursos da Justiça) foram transferidos para os 2º, 3º, 4º e 5º DPs.
A falta de segurança nas cadeias londrinenses não é recente. De 1988 - quando ainda funcionava a velha Cadeia Pública - até este ano fugiram 152 presos. Estes presos continuam soltos e nunca foram recapturados, conforme levantamento feito pelo setor de estatística da 10ª Subdivisão Policial. Da última fuga somente 11 presos foram recapturados ou se entregaram.
Para o delegado-chefe da 10ª SDP, Leonyl Ribeiro, e toda a cúpula da Polícia Civil, a única saída para acabar com o problema é a construção da Cadeia Pública. Na quarta-feira a governadora em exercício Emília Belinati assinou em Curitiba a autorização de licitação para a nova cadeia. A obra deve ser concluída em 1998. A previsão é do Departamento de Obras do Estado, que deverá fiscalizar a obra.
Para reduzir os riscos de fugas, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burille, mesmo contrariando as normas da corporação, está colocando durante a noite, desde quarta-feira, viaturas policiais em frente aos distritos.


