Parede de poço desmorona e soterra dois homens
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Bombeiros de três municípios mobilizaram-se ontem para salvar dois homens soterrados a 23 metros da superfície em um poço artesiano em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). O acidente aconteceu por volta das 13h30 e a primeira vítima só foi resgatada no início da noite com ferimentos leves. Até o fechamento desta edição os bombeiros ainda não haviam conseguido salvar José Carlos Fermino, 24 anos.
Os homens estavam retirando as últimas pedras do fundo do poço, localizado em um depósito em construção no parque industrial da cidade, quando parte da parede desmoronou. Duas pedras de mais de um metro imprensaram as vítimas de pé contra as paredes. ''A gente já tinha terminado o serviço, já estava tudo arrumado para ir embora, eles só iam fazer a última limpeza'', afirmou o pai de Fermino, Carmelo Sebastião Fermino, 66 anos, que presenciou o acidente.
No início da noite de ontem, a situação era considerada delicada pelo capitão Arnaldo Sebastião, do Corpo de Bombeiros de Arapongas. ''Ele está preso pelo braço, há pouco espaço de manobra e não temos previsão de quando poderemos retirá-lo'', afirmou.
A abertura do poço tem pouco mais de um metro de diâmetro e a água estava subindo. Pouco antes de retirar a primeira vítima, um rapaz de 22 anos identificado apenas como Adilson, os bombeiros acionaram uma bomba para retirar o excesso de água que já se encontrava na altura do peito das vítimas. Um exame superficial, no local do acidente, apontou que Adilson quebrou uma perna e teve algumas luxações. Ele foi internado no Hospital João de Freitas.
Com receio de içar a pedra, por conta do risco de desabamento, os bombeiros optaram por quebrar o material em pequenos pedaços. Um especialista em poços voluntário fazia o trabalho com a supervisão de um bombeiro. Uma micro câmera foi utilizada para auxiliar os trabalhos.
No início da noite, depois de horas no poço, o estado de ânimo das vítimas piorou. Os gritos de socorro e o choro eram ouvidos pelos bombeiros que tentavam acalmar a dupla. Um médico desceu até o poço para avaliar o estado das vítimas e aplicar um analgésico. A principal preocupação, no início da noite, era a baixa temperatura e o risco de hipotermia.
A subida da água era a principal apreensão do pai de Fermino. ''De noite a água vai subir para mais de 1,40 metros'', disse o pai, com prática de 25 anos na perfuração de poços. Ele não sabe explicar a causa do desmoronamento. ''Em todo esse tempo nunca vi uma coisa dessas'', contou.
Segundo os bombeiros, a primeira vítima foi retirada com mais facilidade porque houve possibilidade de calçar a pedra e içar o rapaz. A situação de José Carlos era mais complicada porque não havia possibilidade de mover a pedra e o rapaz estava preso pelo braço, o que aumentava o risco de içar o material.


