A vermelhidão ainda presente pelo corpo da dona de casa Natividade Maria Souza de Castro remete aos dias difíceis que ela tem vivido. Moradora do conjunto Aquiles Stenghel, na zona norte de Londrina, descobriu há dez dias que está com dengue, recebendo medicação e tratamento desde então. “Era muita dor no corpo, dor de cabeça, fraqueza, não tinha apetite, febre”, contou, ainda debilitada por conta da sensação de mal-estar. “Parecia que ia morrer”, resumiu.

Natividade Maria Souza de Castro: "Muita dor no corpo"
Natividade Maria Souza de Castro: "Muita dor no corpo" | Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

O bairro é um dos que estão com alerta vermelho para a doença na cidade. Envolvida nas atividades da igreja, que fica na parte de frente da casa onde vive, Natividade está precisando da ajuda da neta, de 13 anos, para caminhar e outros afazeres. A adolescente, inclusive, foi diagnosticada três vezes com dengue no ano passado. “Achei que ia perder ela. As pessoas precisam se preocupar, porque é algo grave e que pode ser evitado”, advertiu.

Um dos problemas para o combate ao mosquito Aedes aegypti no Aquiles Stenghel é um terreno localizado atrás do Colégio Estadual Professora Ubedulha Correia de Oliveira. O local se transformou em ponto de despejo irregular de lixo, com diversos possíveis criadouros. São pneus, garrafas, restos de madeiras e televisões, sofás, plásticos e até privada.

De acordo com vizinhos, os entulhos foram retirados da área recentemente, no entanto, a limpeza durou poucos dias. “Isso daí não é culpa do poder público não. É das pessoas que não têm consciência e jogam de tudo neste terreno. É um perigo a céu aberto, ainda mais neste período que se fala de dengue”, lamentou a atendente de telemarketing Célia Silva, que mora a quatro quadras de distância da localidade.

Apesar dos alertas que as autoridades vêm fazendo quanto ao risco de uma epidemia de grandes proporções no município e do bairro ser um dos que mais preocupam, muitos moradores ainda desconhecem todo este cenário caótico. Para a técnica em enfermagem Aparecida Moraes, não adianta só o dono da residência se preocupar em evitar criadouros, pois, os que estão ao redor também precisam ter este entendimento.

Imagem ilustrativa da imagem ‘Parecia que ia morrer’, diz moradora com dengue
| Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

“Mantenho meu quintal sempre limpo, procuro retirar todo o material que possa acumular água. Nesta semana paguei para um carroceiro recolher alguns materiais que tinha. Me cerifiquei antes para saber se iria levar para o lugar correto. Vejo que algumas pessoas têm descaso sobre este assunto. Nunca tive dengue, porém, pela minha área de atuação sei o quanto é ruim”, destacou.

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