TRANSPORTE ALTERNATIVO Parecer da Comurb recebe críticas Paulo Ubiratan De Londrina Representantes da empresa de Transporte Coletivo Grande Londrina e da Francovig estranharam o pronunciamento do presidente da Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb), Celso Costa, que não vê impedimento da empresa Viação Radar, de Cambé (13 quilometros de Londrina), de operar na cidade com transporte alternativo. ‘‘A Comurb está certa quando fala que o transporte alternativo pode ser operado em Londrina. No entanto, por uma questão de justiça e lógica, quem deve operar neste setor são as duas empresas que já estão no ramo em Londrina’’, considera o gerente-geral da Grande Londrina, Gildalmo de Mendonça. O diretor geral da Francovig, Francisco Francovig, também considera que a cidade comporta o transporte alternativo, mas é contra abrir discussão a respeito, enquanto tramita na Justiça a demanda de sua empresa para operar no transporte coletivo na cidade. ‘‘A análise jurídica está equivocada. Temos um contrato de permissão concedido por decreto. Enquanto isto não for resolvido pelo Poder Judiciário é impossível se abrir qualquer discussão a respeito de novo contrato de permissão’’, afirma Francisco. Ele refuta o procurador jurídico da Radar, Jeferson Marques da Silva que disse ontem à Folha que as duas empresas operam irregularmente em londrina. Em fevereiro deste ano a Radar ofereceu em ofício para a Comurb ônibus comum a R$ 0,50 (metade do valor da passagem cobrada pelas empresas de Londrina), kombis e vans a R$ 1,00 e transporte no padrão executivo a R$ 2,00. Anteontem, Celso Costa disse que na próxima semana vai entregar o parecer ao proprietário da Radar e abrir caminho para ele iniciar negociações com o município. Gildalmo enfatizou que, antes de se entregar o transporte alternativo para outra empresa, devem também ser analisados fatores que poderão prejudicar a qualidade do transporte coletivo em Londrina. ‘‘Não podemos esquecer o que está acontecendo em São Paulo, onde o transporte clandestino transformou aquela cidade em uma guerra campal.’’ Francisco argumentou que as empresas arcam com gratuidade nas passagens para idosos, policiais, carteiros, crianças com menos de 6 anos e aposentados. ‘‘Fornecemos 110 mil passes para a Secretaria de Ação Social e abatemos 50% nas passagens escolares. Nada mais justo nos compensarem, nos permitindo operacionalizar o transporte alternativo’’, afirmou. Gidalmo e Francisco julgaram impossível a tarifa a R$ 0,50. ‘‘Quem faz as planilhas de custos das passagens é a própria Comurb. Não podemos acreditar que o órgão esteja enganado’’, afirmou Francisco. Conforme anunciado na semana passada pelo prefeito Antonio Belinati (PFL), no próximo dia 30 Celso Costa deixará a direção da Comurb, que passará ao comando de Gustavo Santos.