''Parece que o tempo não passou para nós''
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sábado, 01 de dezembro de 2012
Mariana Franco Ramos <br> Equipe Bonde 
Foz do Iguaçu - Era janeiro de 1967 quando um grupo de aproximadamente 200 estudantes de Medicina se encontrou pela primeira vez nos corredores do prédio central da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade, em Curitiba. Quase 46 anos depois, mais de 80 deles, vindos de diferentes cantos do Brasil e até de fora do País, voltaram a se reunir no último final de semana, em Foz do Iguaçu (Oeste), para comemorar 40 anos de formatura e uma amizade que, dizem, se fortalece conforme os cabelos vão ficando mais brancos.
Entre os nomes que integram a turma estão os de Alceni Ângelo Guerra, ex-ministro da Saúde; Giovanni Loddo, ex-diretor geral do Hospital de Clínicas da UFPR; Nizan Pereira de Almeida, ex-Secretário Especial de Estado para Assuntos Estratégicos; Haroldo Ferreira, Secretário de Saúde de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba); e o cirurgião cardíaco Randas José Vilela Batista.
Para o ortopedista e traumatologista Wilson Galego Campos, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) há 35 anos, o fato de os então calouros terem vindo de várias regiões facilitou o entrosamento. ''Aprendemos a aceitar as diferenças, as formas de ver as coisas, e acabamos tendo um relacionamento muito forte.''
De acordo com ele, que participou do encontro de 40 anos ao lado da esposa, do filho e da nora, a tendência é que a turma fique ainda mais próxima nos anos seguintes. ''A gente tem sentido que, à medida em que nós envelhecemos, prendemos mais os relacionamentos, queremos saber como está o amigo.''
O patologista André Balla, que dá aulas na Universidade de Illinois, em Chicago, há dez anos, veio dos Estados Unidos com a esposa especialmente para participar da festa. Ele afirma que o melhor dos encontros é compartilhar as histórias dos tempos de faculdade. O ''nicho'' de Curitiba, que se reúne mensalmente em jantares e viagens, e a proximidade entre as mulheres - formandas ou esposas dos médicos - ajudaram, segundo ele, a integrar ainda mais o grupo. ''Nos 50 anos também estaremos aqui, menos os que 'baterem as botas', claro. O pessoal vai estar mais velho, duro até, mas vai estar dançando ainda'', prevê.
O otorrinolaringologista Henrique Liberato Salvador, de Presidente Prudente (SP), lembra que a repressão aos estudantes, durante a ditadura militar, também fez com que a turma permanecesse unida por tantos anos. ''A qualquer momento colegas que não concordassem com as ideias políticas da época poderiam desaparecer. Então criamos uma autoproteção: um cuidava do outro. E só podíamos fazer isso através do quê? Uma feijoada no Passeio Público, um jantar no Danc (Diretório dos Estudantes de Medicina), um cafezinho no final de tarde no Avenida... Criamos um amor coletivo frente à repressão, um amor que já dura 47 anos'', diz.
Segundo o pediatra londrinense Carlos Renato d'Avila, que vive na capital há 50 anos, aos 164 aprovados no vestibular de 1966/67 somaram-se 92 excedentes e mais sete ou oito intercambistas vindos do Paraguai, do Equador e da Bolívia. ''Houve um processo confuso, com aulas à noite, porque não havia número suficiente de professores para organizar a grade curricular, mas isso tudo contribuiu para aumentar o entrosamento entre os alunos'', relembra. ''Não existe nenhuma turma, e nós somos testemunhas porque já estamos com 40 anos de formatura, que tenha essa característica de união de tantos anos.''
Livro
As histórias vividas pelos médicos da turma de 1967-1972 da UFPR acabaram virando um livro. Lançado em meio às comemorações, ''40 anos de histórias'' reúne cerca de 50 ''causos'' da época escritos pelos próprios formandos. São piadas internas e relatos sobre os anos de residência no Hospital de Clínicas da UFPR, mas há também homenagens aos colegas que já faleceram e a outros que se tornaram profissionais renomados.


