Um colégio de Curitiba resolveu trocar a falta de repasse de recursos mensais pela criatividade e parcerias com empresas privadas. Há quatro anos, o Colégio Estadual Brasílio Vicente de Castro, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), com 1,7 mil alunos de 5ª série ao ensino pós-médio profissionalizante, arrecada contribuições voluntárias com pais de alunos e tem patrocínios e parcerias com o Banco Araucária e Caixa Econômica Federal. Os programas educativos já renderam premiação no ano passado, quando a Organização das Nações Unidas pelos Direitos das Crianças (Unicef) concedeu ao colégio o prêmio de terceiro lugar em gestão escolar do Estado. No final do ano, a diretora Juara de Almeida Ferreira recebeu a medalha de honra ao mérito do governo do Paraná por serviços prestados à educação pública.
Os projetos inovadores começam na Biblioteca, com 8 mil livros. Este ano, todos os alunos terão como meta a leitura de 20 livros. Para isto, eles contam com as bibliotecas móveis. Cada caixa tem entre 40 e 45 livros e é levada nas aulas de literatura. Computadores, revistas e jornais diários também são colocados à disposição. Todos os anos, os livros são renovados. Os próprios alunos recebem, na listagem de material escolar, a indicação de um livro que deverá ser levado nos primeiros dias de aula para ser deixado na biblioteca.
Algumas turmas estão recebendo este ano as sacolas familiares de leitura. Cada sacola tem entre cinco e seis revistas. ‘‘O objetivo é estimular a leitura nas famílias. A nossa grande falha é a oralidade e a escrita. Nossos alunos são carentes disto. E o gosto da leitura é um gosto que a gente adquire em casa’’, explicou a diretora.
O colégio funciona com 43 turmas. Tem 48 professores e 21 funcionários administrativos e de limpeza. Todas as salas são ventiladas, com televisores e vídeos. Elas são diferentes das tradicionais. Os alunos não passam todas as horas dentro da mesma sala. Eles revezam de acordo com o tema discutido. Tem a sala da matemática e geometria, de ciências, português, história. Elas são pintadas de acordo com o tema. Cada aula dura 50 minutos.
Não existe avaliação por nota. O aluno tem que atingir 80% das chamadas ‘‘habilidades’’. Caso não consiga atingir, ele tem cinco chances de tentar novamente. O índice de reprovação é de 9%. A evasão caiu de 30% para 0%. Os alunos que se destacam são chamados para dar aulas de reforço. Cada estudante é acompanhado diariamente através de fichas educacionais, onde além dos dados pessoais, são anotadas as faltas e o comportamento em sala de aula. ‘‘É importante isto, porque se os pais vierem até aqui, saberemos exatamente os problemas enfrentados pelo filho’’, disse.
Outro programa desenvolvido pelo colégio é o Aprendendo Diferente. Alunos de três turmas de turnos diferentes passam o dia numa sala espaçosa e que mais parece uma casa. Tem cozinha (com microondas, pia e fogão), sala de estar (com poltronas, televisão, videocassete, som), biblioteca e sala de aula (mesas com cadeiras e quadro de giz). ‘‘Este programa foi baseado na sala do futuro da Universidade de São Paulo (USP), feita para treinamento de professores. Resolvi adaptar e treinar alunos’’, brincou. Os resultados são alunos mais abertos à aprendizagem, com posicionamentos diferentes, que gostam de desafios e novas propostas.

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