Parcerias sustentam o projeto
O projeto da cooperativa começou a ser desenvolvido há três anos. A iniciativa partiu da Comissão Central de Serviços da Arquidiocese de Maringá, que faz parte do projeto Rumo ao Novo Milênio. Para elaborar o projeto os representantes da comissão entraram em contato com o departamento de Engenharia Química e com o Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que se tornou parceira como responsável pelo suporte técnico.
Quatro professores do departamento de Engenharia Química, um engenheiro, três técnicos e três alunos atuam no projeto de forma voluntária. O primeiro passo foi identificar a região de Maringá que iniciaria a atividade. Por uma questão de proximidade da UEM, foi escolhida a Zona Sete. Imediatamente, as igrejas Santa Maria Goretti e Santa Isabel de Portugal aderiram à idéia. O passo seguinte foi conquistar a parceria da Associação dos Moradores da Zona Sete e da Prefeitura de Maringá, que doou um barracão de cerca de 400 metros quadrados na região central da cidade.
‘‘O objetivo, desde o início, foi romper com as estruturas que impedem o crescimento do ser humano’’, explica a coordenadora da Comissão Central de Serviços da Arquidiocese de Maringá, Vera Lúcia Tasca. A reciclagem do lixo, segundo ela, é uma alternativa para que as pessoas de baixa renda tenham o mínimo de condições de sobrevivência e de cidadania.
Recentemente, a cooperativa elegeu a sua diretoria e o conselho curador, formado por representantes da Arquidiocese de Maringá, UEM, prefeitura, Associação da Zona Sete e das igrejas Santa Maria Goretti e Santa Isabel de Portugal. O presidente é o padre Bruno Elizeu Versari.
As famílias cadastradas na cooperativa têm renda de até três salários mínimos e a maioria ficou sabendo do projeto nas paróquias. O projeto saiu do papel mesmo em junho deste ano, mas a cooperativa ainda está em fase de desenvolvimento.
A professora do departamento de Engenharia Química da UEM, Célia Tavares, afirma que a principal dificuldade é o apoio econômico. Ela diz que o investimento inicial para este tipo de projeto é de no mínimo R$ 500,00. Como não houve este apoio, os parceiros do projeto estão buscando os recursos aos poucos. Ela explica que o objetivo é vender o lixo reciclável diretamente para as empresas que utilizam este tipo de material.
Para isso, a cooperativa precisa de uma prensa para enfardar e vender o material. Como não foi possível ainda comprar o equipamento, todo material que é recebido na cooperativa está sendo comercializado para as empresas que compram o lixo reciclável e vendem às fábricas. A desvantagem neste tipo de operação é o baixo valor pago. A renda obtida é aplicada na cooperativa e os associados recebem apenas o valor correspondente ao montante de material entregue na cooperativa por eles.
Os cooperados que não tinham experiência na atividade passaram por treinamentos oferecidos pelos professores e técnicos da UEM. ‘‘Fizemos um trabalho orientando sobre os materiais que podem ser separados para reciclagem e como é feita a separação’’, informa Célia.
Conforme ela, o lixo de Maringá é muito rico, o que facilita este tipo de atividade. Ela explica que há 10 anos, a característica do lixo na cidade era totalmente diferente, composto em sua maioria por material orgânico. Com o aumento da população e as mudanças de hábitos, a situação se inverteu. ‘‘Hoje a maior parte do resíduo sólido produzido em Maringá é passível de reciclagem’’, afirma.(L.P.)

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