Parceria visa qualificação em usinas
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Uma parceria entre a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego com representantes da Usina Central de Porecatu (Norte) vai garantir a qualificação dos trabalhadores e a melhora dos serviços no setor sucro-alcooleiro. A reunião que discutiu o assunto aconteceu ontem de manhã, em Londrina, com a presença do superintendente regional do Trabalho e Emprego do Paraná, João Graça; do gerente administrativo da Usina, José Aparecido Batinga; e representantes da gerência regional e fiscalização do Trabalho.
O principal objetivo foi apresentar a Câmara Técnica de Regularização do setor, formada no último dia 8 em Curitiba por cinco membros do Ministério do Trabalho, cinco da Federação dos Trabalhadores e outros cinco da Federação dos Empregadores. Segundo o superintendente João Graça, ''a idéia é harmonizar as relações de trabalho no setor, considerado fundamental no Estado''.
Hoje o Paraná emprega um total de 80 mil trabalhadores em 27 usinas. Outras 25 mil pessoas trabalham informalmente no setor. Só na região do Norte Pioneiro são nove usinas empregando uma média de 20 mil trabalhadores, a maioria cortadores de cana. ''É um setor de extrema importância no País e que vem recebendo uma atenção especial. Queremos legalizar o trabalho, dar condições aos trabalhadores e principalmente garantir a qualificação da mão-de-obra'', afirma Graça.
Segundo o superintendente, a maior dificuldade enfrentada pelo setor é a mecanização da lavoura, que termina na demissão de funcionários e acarreta ações trabalhistas. ''Uma máquina apenas substitui o trabalho de 100 homens. Precisamos qualificar essas pessoas para assumir outros cargos na empresa conforme acontece a mecanização''. Outra preocupação é o período de entressafra, quando boa parte dos trabalhadores fica parada.
Outros problemas que atingem o setor são falta de recolhimento de encargos sociais, falta de higiene, condições de trabalho e de carteiras de trabalho, salários atrasados e a migração de trabalhadores de outros Estados. Para isso, serão feitas parcerias com universidades públicas no sentido de estabelecer limites no setor produtivo e com federações para garantir a qualificação.
A Câmara Técnica também poderá sugerir discussões sobre a alteração da legislação e diretrizes de fiscalização. ''Queremos que as usinas prosperem, mas rigorosamente dentro da Lei'', afirma Graça.
A primeira ação da Câmara, que se reúnirá todas as terças-feiras do mês em Curitiba, está sendo direcionada para a Usina Central de Porecatu, em função das dificuldades e das manifestações e greves enfrentadas pela empresa. A última greve na usina aconteceu no mês de maio, quando houve atraso de salários.
O problema, segundo o gerente administrativo, José Aparecido Batinga, foi a quebra mecânica da usina ocorrida no ano passado, que culminou em uma queda na produção. No total, 700 mil toneladas de cana deixaram de ser moídas em 2007. A média de produção, de acordo com o gerente, é de 2 milhões de toneladas por safra. ''Com as manifestações dos funcionários, os credores recuaram e a situação se complicou. Estamos tentando equacionar a situação'', afirmou o gerente.
Na tarde de ontem Batinga informou que a usina depositou o dinheiro dos salários atrasados (referentes ao mês de junho), mas por problemas operacionais do banco eles devem ser creditados nas contas dos funcionários na manhã de segunda-feira.


