Rolândia Os anjos da guarda de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) que continuam trabalhando diuturnamente para proteger as crianças, ganharam uma ajuda para lá de importante. Desde o ano passado, uma parceria entre os centros de educação infantil (CEIs) filantrópicos, uma grande empresa da cidade e a prefeitura possibilitou que centenas de crianças ingressassem na educação. De quebra, a iniciativa conjunta comprovou que a união de esforços é uma ferramenta eficiente para assegurar proteção à infância.
O empresário Evaldo Ulinski, aparentemente, não teria nada a ver com crianças ou educação infantil. Mas o caminho do presidente da Big Frango acabou cruzando o caminho do cidadão quando soube, através da Promotoria da Vara da Infância e Juventude, que na cidade-sede de seu grupo empresarial havia uma lista de espera nas creches que chegaria a 1,2 mil. O cadastramento das famílias feito pela gerente de responsabilidade social da empresa, Sandra Bampi, apontou que a falta de vagas, na verdade, atingia 526 crianças.
Para que mais meninos e meninas fossem integrados às entidades filantrópicas de educação infantil, Ulinski iniciou a distribuição gratuita de carne e, em seguida, direcionou recursos para ajudar na compra de equipamentos e na folha de pagamento. Depois, passou a contribuir mensalmente com R$ 100,00 por criança matriculada, beneficiando tanto os filhos dos funcionários da Big Frango quanto os demais alunos. A prefeitura passou a fornecer o transporte e um complemento per capita de pouco mais de R$ 40,00. Na soma, as crianças de Rolândia que frequentam creches filantrópicas dispõem, hoje, de R$ 146,00 mensais, suficientes para assegurar um atendimento de qualidade.
A parceria ainda não zerou o déficit na educação infantil no município de pouco mais de 54 mil habitantes mas, segundo o secretário de Educação, José Marques Filho, contribuiu sensivelmente para amenizar o problema ao agilizar a abertura de novas vagas. Para ele, no entanto, as empresas devem participar, mas a responsabilidade de proporcionar educação para todos deve ser do Estado. ''A união de esforços é salutar, mas o que deve acontecer nas próximas décadas é o poder público assumir a educação infantil de forma universalizada. Esse é o caminho mais correto porque é uma obrigação do Poder Público'', analisou o secretário.
Marques Filho argumentou, porém, que a maior dificuldade que os municípios têm para enfrentar o problema da falta de vagas em centros de educação infantil ainda é ter verba para construir. ''Precisaríamos de pelo menos mais dois centros, que demandariam entre R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões. O grande problema é que não há esse dinheiro'', ponderou. Em razão disso, as obras caminham em ritmo menor e um novo centro só deverá ficar pronto em 2007, na Vila Oliveira bairro da periferia onde muitas crianças ainda estão fora das creches. Atualmente, as cinco CEIs municipais atendem perto de 550 crianças.

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