Crianças, gestantes, doentes e idosos, que moram no patrimônio Selva, localizado a 15 quilômetros, na região sul de Londrina, vão receber novamente a multimistura, um complemento alimentar à base de farelos, cuja distribuição estava suspensa há cerca de um ano. A entrega do produto foi garantida através do apoio da iniciativa privada.
O farelo ajuda a manter as crianças saudáveis, evitando doenças oportunistas em função da desnutrição. Já em relação às gestantes e idosos, a multimistura funciona como fortificante. Segundo a presidente da Associação de Mulheres do Patrimônio Selva, Maria José Teixeira Lopes, a multimistura ‘‘ajuda a evitar a anemia e a osteoporose’’, disse.
Mario CesarSegundo ela, a Caixa Econômica Federal (agência Com-Tour) e a empresa de transportes coletivos Francovig vão fornecer os ingredientes necessários no preparo do farelo.
Usando a receita ensinada, em treinamento, pela Pastoral da Criança, desde 93, a associação distribuía o farelo regularmente. De um ano para cá, no entanto, os recursos recebidos pela associação, através de doações, ficaram escassos e faltou dinheiro para comprar os ingredientes da mistura.
‘‘A Francovig prometeu doar todo mês cerca de 10 quilos de leite em pó e a Caixa Econômica se comprometeu a ajudar com os outros ingredientes para o farelo’’, conta Maria José. Ela diz que também recebe ajuda, sempre que possível, da Prefeitura de Londrina, do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) e de outras instituições londrinenses que realizam campanhas, de tempos em tempos, para a obtenção de cestas básicas e agasalhos. Segundo ela, naquela região, são mais de 130 famílias carentes.
Mario CesarQuem já usou o complemento alimentar atesta a eficácia do produto. O caso clássico no patrimônio Selva é o de Maria de Fátima Sandes, 25 anos. Ela tem problemas neurológicos e precisa usar medicação ‘‘forte’’. Por causa disso, segundo a irmã, Cleusa Pereira Sandes, 24 anos, há três anos, Maria de Fátima estava muito fraca e nem mesmo conseguia andar. ‘‘Usamos o farelo na alimentação dela, durante um ano e meio, mais ou menos, e hoje ela está super bem. Anda normalmente e até come demais’’, diz.
A dona de casa Maria da Luz Jesus, 41 anos, mãe de Rodrigo, 4 anos, também viu diferenças significativas no seu filho. ‘‘Ele era frágil e quase não comia. Muitas vezes, não queria nem mesmo o leite. Usou o farelo durante um ano, e ficou outro. Agora, porém, com a falta do farelo, ele já está começando a ficar com mania de não querer comer de novo. Só quer comer arroz’’, conta.
Maria Aparecida da Costa Santos, 73 anos, e Angélica Souza de Oliveira, 58 anos, ambas donas de casa, também usaram o farelo e sentiram-se melhor. ‘‘Eu resolvi usar o farelo, porque sentia muita fraqueza e mal-estar. O farelo me ajudou muito’’, diz Maria Aparecida. Angélica confirma: ‘‘O farelo faz com que a gente se sinta mais forte. Eu tenho crises de bronquite e ficava muito fraca, porque não me alimentava direito. O farelo ajuda muito, porque abre o apetite’’, explica.

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