Dimitri do Valle
De Curitiba
Ninguém acreditou, mas para cerca de 200 meninos e meninas de famílias carentes era a chance de se divertir como um adolescente de classe média. Por duas horas na tarde de ontem, eles jogaram boliche, video game, patinaram e bancaram artistas no karaokê. Tudo de graça. A iniciativa partiu da Prefeitura de Curitiba como parte dos programas de apoio às crianças que vivem nas ruas ou estão em situação de risco, e teve o apoio da Polícia Militar e do pólo das Malhas do Boqueirão.
O Big Bowling Center, na Rua Bento Viana, bairro Água Verde, foi o local da diversão. O proprietário, Luís Fernando Sambulski, disse que a área social faz parte da programação de eventos do estabelecimento. ‘‘Essas crianças são marginalizadas pela sociedade. Se todo mundo desse uma chance para elas exercitarem sua inteligência, a marginalidade cairia’’, comentou. ‘‘Aqui elas podem se sentir como qualquer criança’’, afirmou Gabrielle Nonato, gerente de marketing do Big Bowling.
A finalidade de divertir quem só conheceu video games e jogos de boliche pelas vitrines integra um plano de socialização infantil da Secretaria Municipal da Criança. A gerente de abrigos da secretaria, Rosângela de Bárbara da Silva, explicou que a programação realizada foi uma forma de convencer as crianças a continuarem nos projetos Formando Cidadão, Da Rua para a Escola, Criança e Segurança e nos abrigos da prefeitura.
A única dificuldade encontrada pelas crianças foi a falta de intimidade com a bola de boliche. Juliano Ribeiro de Godoy, 13 anos, disse que nunca se imaginou numa pista de boliche. ‘‘Essa bola é muito pesada’’, dizia o menino, que mora no bairro Sítio Cercado. A prima de Juliano, Leidimar Anastácio, 12 anos, considerava que passar a tarde jogando boliche era um programa melhor do que ficar na rua. ‘‘A gente aproveita bem o tempo. É legal e melhor do que ficar na rua’’, disse. Leidimar pratica capoeira há um ano através dos programas oferecidos pela prefeitura.
‘‘Só tinha visto isso pela televisão, mas a bola é muito pesada’’, afirmou Tiago Ribeiro do Prado, 10 anos, que passa o dia guardando carros. Como não conseguiu levantar a bola, Tiago preferiu jogar fliperama. Além dos jogos de diversão, a Secretaria Municipal da Criança tem programas de ensino escolar, música, literatura, teatro, e formação pessoal e social.

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