Parceria garante reciclagem de isopor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Uma recente parceria entre a cooperativa de reciclagem Cooper Região, de Londrina, e uma fabricante catarinense de embalagens industriais tem evitado que cerca de sete toneladas de isopor sejam enviadas todos os meses ao aterro sanitário. Além dos ganhos ambientais da parceria, os cooperados também encontraram um meio de elevar os rendimentos dos trabalhadores da coleta seletiva e já se uniram a outras cooperativas para aumentar o volume de isopor processado.
A empresa Termotécnica, de Joinville (SC) cedeu, em regime de comodato, uma máquina extrusora que está no barracão há cerca de quatro meses. O equipamento tritura e derrete o isopor, que sai pronto para ser embalado e enviado a Santa Catarina para ser reutilizado pela própria empresa, na fabricação de embalagens, ou revendido a outras indústrias. Para cada quilo de material processado, a cooperativa recebe R$ 0,85. O transporte fica por conta da empresa catarinense.
Os trabalhadores da Cooper Região estão animados. A cooperativa sempre recolheu o isopor que era descartado pela população junto com os materiais recicláveis, mas era um item que só dava despesa. "A gente levava para uma empresa em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina). Fazíamos tudo de graça. Os custos com transporte, incluindo o pedágio, eram tudo por nossa conta", relembra o presidente da Cooper Região, Zaqueo Vieira.
Mais tarde, a cooperativa passou a revender o isopor para um empresa de Londrina. Depois de três anos a parceria teve de ser desfeita e o material passou a ser repassado a uma empresa de Maringá (Noroeste), que cedeu um equipamento. O valor pago, porém, era muito baixo (R$ 0,30 o quilo) e lucro não compensava o trabalho. "Quando soubemos dessa empresa de Santa Catarina, entramos em contato e deu certo a parceria", contou Vieira.
Segundo ele, a Cooper Região recebe entre seis e sete toneladas de isopor por mês, mas com a máquina extrusora em atividade, a cooperativa vai poder divulgar à população a possibilidade de reciclagem deste tipo de material e a expectativa é que o volume aumente gradualmente. A união com outras cooperativas também deve contribuir para o aumento do processamento do material.
A máquina tem capacidade para processar uma tonelada diária de isopor. "A gente vai dividir as despesas com energia elétrica e o valor arrecadado vai ser repassado igualmente entre as cooperativas. Três barracões já confirmaram que vão enviar o isopor para a gente", disse Vieira. "A cooperativa não ganha dinheiro com o isopor. Nosso ganho mesmo vem dos outros materiais. O isopor a gente recicla para tirar o material do meio ambiente", destacou o responsável pela área de vendas da cooperativa, Orlando Moreira. Até o final do ano, a Cooper Região deve ganhar um barracão específico para a reciclagem do isopor, com 770 metros quadrados.
APLICABILIDADE
O EPS, que é a sigla do poliestireno expandido, o isopor, tem diversas aplicabilidades na indústria, da construção civil à fabricação de calçados. No solo, o isopor demora aproximadamente 150 anos para se decompor. De acordo com o coordenador de Sustentabilidade da Termotécnica, Paulo Michels, 10% do material reciclado pela Cooper Região serão utilizados pela própria empresa, que tem filiais em outros estados, como Pernambuco e Amazonas. Os outros 90% deverão ser revendidos para indústrias de transformação do plástico.
A empresa catarinense mantém parceria com oito cooperativas no País, na qual cedem em comodato a máquina extrusora e compram o isopor processado. Mas outras 400 cooperativas espalhadas pelo Brasil também enviam isopor para a empresa, que faz o processamento do material. O volume reciclado pela Termotécnica, segundo Michels, já chegou a 560 toneladas mensais, mas com a crise e a redução no consumo, o volume atual é de 280 toneladas por mês.
MOLDURAS
Em Londrina, a Isonorte atua na reciclagem de isopor há três anos. A empresa tem uma máquina extrusora com capacidade de 600 quilos por dia. Atualmente, em torno de oito toneladas do material são reciclados por mês. O produto final é comercializado para uma empresa de Santa Catarina, fabricante de rodapé, rodatetos e, principalmente, molduras para quadros.
O isopor reciclado na Isonorte é enviado gratuitamente por grandes empresas, que por lei são obrigadas a darem a destinação correta ao material, além de quatro unidades prisionais da cidade, que fornecem 5 mil embalagens de marmitex diariamente. "Evitamos que cerca de 100 caminhões de isopor sejam enviados ao aterro todos os meses", disse o proprietário da empresa, Fernando William de Abreu.
LINHA BRANCA
Além do isopor, as cooperativas de Londrina também estão habilitadas a recolher itens da linha branca, como geladeiras, freezers e lavadoras de roupas. No site da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (www.cmtuld.com.br) há uma lista dos barracões responsáveis pela coleta seletiva na cidade, com endereço e telefone.


