Parceria garante moradia a carentes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de junho de 1997
Célia Baroni 
Londrina
No início de julho Cambé começa as obras de 23 casas embrião dentro do programa de desfavelamento Casa Feliz, da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). As casas terão 31 metros quadrados, com divisão apenas para o banheiro e serão construídas em terrenos de 200 metros quadrados. Subsidiado pela Caixa Econômica Federal (CEF), o programa pretende atender a população com renda entre R$ 80,00 e três salários mínimos que, até agora, não conseguia ser contemplada por nenhum programa habitacional.
O programa foi lançado este mês e vai construir 2.261 unidades em todo o Estado. E as famílias terão de arcar com prestações entre R$ 14,00 e R$ 20,00, de acordo com a sua renda. As obras serão viabilizadas através de parceria entre Cohapar e prefeituras - o município doa o terreno e a Cohapar constrói. O gerenciamento dos recursos, repassados em cinco parcelas, vai ficar a cargo de uma comissão municipal constituída pelo poder público e comunidade organizada do município beneficiado.
Confiante com o sucesso do programa, a assistente social da Secretaria de Ação Social de Cambé, Nilza Morales Marzolla Oliver, ressalta a importância da criação de um programa que atenda a população que vive em situação de miséria. Já estava na hora dE priorizar esta demanda. Uma moradia digna é o primeiro passo para garantir a esta gente o acesso ao direito à cidadania, defende.
Ela explica que, em Cambé, a realidade difere da vivida pela maioria dos municípios. Com uma população estimada em cerca de 80 mil habitantes, a cidade não tem favelas. De acordo com o levantamento da Ação Social do município, existem hoje aproximadamente 15 núcleos de pobreza espalhados pela área urbana. Cada núcleo é formado por uma a sete famílias.
O perfil de seus moradores, porém, é o mesmo das favelas - vivem em casas improvisadas (barracos de lona ou madeira), não têm capacitação profissional e sobrevivem da renda conseguida com trabalhos volantes. Mesmo com um número pequeno de famílias nesta situação, comparada com a realidade dos municípios vizinhos, Cambé precisaria de pelo menos 100 moradias para contemplar a demanda de suas famílias em situação de miséria.
As primeiras 23 famílias de Cambé a serem beneficiadas pelo programa já assinaram contrato com a Cohapar. Elas vão ter ainda acompanhamento social e acesso a cursos de capacitação profissional, através da Secretaria de Ação Social. Queremos garantir o sucesso do programa. Para isto, precisamos trabalhar para melhorar a qualidade de vida destas pessoas e isto é praticamente impossível sem abrir o mercado de trabalho para elas, justifica Nilza Oliver.
O programa fai ser implantado em em duas áreas diferentes - 12 unidades no Jardim Josiane (próximo ao Novo Bandeirantes) e 11 unidades próximas ao Conjunto Pioneiros. A escolha das áreas e a destinação dos terrenos, enfatiza a assistente social, respeitou a proximidade ao local da moradia atual das famílias. As crianças estão na escola ou creche próximas, e a família já construiu seus vínculos na vizinhança, explica.
A gerente da Cohapar em Londrina, Maria de Fátima Casagrande, diz que a preocupação principal do programa é garantir moradia digna para as famílias de baixa renda. Na seleção das famílias fizemos questão de escolher as mais carentes. Os problemas vão ser administrados na medida em que surgirem, no sentido de melhorar o programa e garantir a sua continuação mantendo o seu objetivo inicial. Segundo Maria Casagrande, o programa ainda está em fase de adequação e muita coisa ainda poderá ser modificada, dependendo dos resultados apresentados com as primeiras unidades.


