Maigue Gueths
Desde ontem a população de Curitiba pode contar com um serviço inteiramente gratuito para fazer exames que detectam o diabetes e, em caso de confirmação da doença, ser encaminhada para o tratamento. Trata-se de uma parceria entre a rede de farmácias Drogamed, o laboratório Roche Diagnostic e o Serviço de Endocrinologia e Metabologia (Sempr) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os exames serão feitos em caráter permanente em 25 lojas da Drogamed e, sempre que constatado o diabetes, os funcionários das farmácias orientarão as pessoas para que procurem o Sempr para reavaliação e tratamento.
Segundo o médico endocrinologista Hans Graf, chefe do Sempr, esta parceria é muito importante, porque além de detectar a doença já vai encaminhar as pessoas para tratamento, quando necessário, o que não ocorria em programas anteriores. Calcula-se que entre 7% a 8% da população seja diabética, embora cerca de 50% não tenha conhecimento da doença. O diabetes é uma doença crônica que eleva a concentração de açúcar na corrente sanguínea devido a diminuição ou ausência da insulina (hormônio regulador da glicose).
Este é o quarto ano consecutivo que a Drogamed promove a Campanha de Detecção de Diabetes. O trabalho realizado em novembro do ano passado atendeu mais de 10 mil pessoas, sendo que 2,52% apresentavam dosagem de glicose elevada, mas não sabiam da sua condição. ‘‘A intenção é prestar um serviço à comunidade, principalmente àqueles que não têm condições de ir ao médico com frequência’’, diz o diretor presidente da Drogamed, Aparecido Bueno Camargo.
A população alvo é formada por indivíduos com idade a partir dos 45 anos e pessoas mais jovens com casos de obesidade, hipertensão, dislipidemia (aumento do colesterol ou triglicerídios) ou parentes de primeiro grau com diabetes. A parceria também prevê a realização de duas grandes campanhas ao longo de cada ano para informar a comunidade de Curitiba sobre a doença.
Dados recentes da Declaração das Américas mostra que 30 milhões de pessoas com diabetes vivem nas Américas, o que significa mais de um quarto do total de casos do mundo. Segundo a médica endocrinologista Rosângela Réa, representante regional da Sociedade Brasileira de Diabetes, se for levado em conta o envelhecimento das populações e o aumento dos fatores de risco para a doença, como a obesidade e o sedentarismo, é possível que o número de casos ultrapasse os 45 milhões em 2010. ‘‘Além disso, os custos com o diabetes podem representar, dependendo do país, até 5,14% dos gastos com saúde’’.

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