JAGUAPITà Parceria garante esporte para carentes Prática de atividades esportivas, teatro e dança proporcionada pelo convênio integra 350 alunos da rede municipal de ensino Fotos Odair StraliottBENEFÍCIOGinástica rítmica e vôlei são duas das modalidades esportivas oferecidas; mensalidades de R$ 5 a R$ 7 nem sempre são pagas pelos alunos carentesRosemeire Scallone Bordini, idealizadora do projeto Cresça e Apareça: ‘‘Carente pode alimentar o sonho de se projetar através do esporte’’ Lúcio Flávio Moura Enviado a Jaguapitã Um convênio entre uma acadêmia, escolas e a prefeitura de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina) está proporcionando a 350 crianças – a maioria de famílias carentes – acesso à prática de seis modalidades esportivas, o aprendizado de teatro e de dança. A iniciativa é da empresária Rosemeire Scallone Bordini, 34 anos, dona e instrutora da Academia Espaço e Movimento, que conta com apoio de seu marido Aragão Bordin Filho, 37 anos, um dos seis treinadores que participam do Projeto Cresça e Apareça, que tem ainda um professor de teatro e outro de dança. ‘‘Como não dispúnhamos de nenhum trabalho de treinamento esportivo da Prefeitura para crianças e como tinha muita gente que procurava a academia, mas não podia pagar, decidi propor uma parceria ao município, que resolvesse os dois problemas’’, explica Rosemeire. O trabalho foi reconhecido pelo prefeito Edison Rodrigues de Almeida (PFL), que há seis meses, a nomeou coordenadora de Esportes do Município. ‘‘É um trabalho excelente, que ocupa o tempo das crianças com uma atividade que exige disciplina. Ao mesmo tempo é lazer e educação, além de alimentar o sonho da criança pobre de subir na vida praticando esporte’’, lembra Almeida. O Cresça e Apareça também beneficia 30 adolescentes infratores que fazem atividade profissionalizante em uma escola-oficina de marcenaria mantida pela prefeitura. Para dar vazão à agressividade juvenil, eles estão praticando kung fu nas horas vagas. Desde o final do ano passado, o teatro, que junto com a dança (22 alunos) formam o braço cultural do projeto, também passou a fazer parte do cotidiano de 45 crianças, a maioria avessa ou inapta à prática esportiva. Para ampliar a adesão ao projeto, Rosemeire planeja contratar uma assistente social. ‘‘Atendemos 20% das crianças entre 3 e 14 anos do município, mas queremos atingir os mais pobres, os filhos de cortadores de cana-de-açúcar, por exemplo. Eles parecem ter receio de chegar e se inscrever’’, conta Rosemeire. Enquanto a verba para a contratação ou o remanejamento de uma assistente social não sai, Rosimeire e o grupo de treinadores estão percorrendo salas de aula das três escolas públicas da cidade, em um corpo a corpo para evitar a evasão e até mesmo tentar entender as causas que levam certos pais a desestimular os filhos. ‘‘Tem muita gente que acha que o esporte ainda é coisa de vagabundo’’, lembra Aragão. Para conquistar os incrédulos, uma das preocupações dos mentores do projeto é lembrar que a criança deve ter bom comportamento e desempenho escolar (para isso, o projeto conta com o apoio de diretoras e professores), além de ser instruídos a frequentar os treinamentos apresentando todos os hábitos de higiene. A possível ampliação do projeto depende da construção de um centro esportivo (nome pomposo para uma quadra poliesportiva coberta) no valor de R$ 40 mil, que Rosimeire e Aragão já pediram ao governo estadual. O centro esportivo poderia aumentar a carga horária das crianças, que, pelo limitado número de treinadores e as poucas instalações disponíveis (uma quadra descoberta, um campo de futebol, um ginásio poliesportivo e uma sala na academia), treinam apenas quatro horas por semana. Se concretizado, o centro esportivo será o primeiro investimento externo no projeto, que se caracteriza pela auto-suficiência. Os gastos com compra de material esportivo são financiados com a venda de bebidas, salgadinhos e sanduíches consumidos durante os torneios de futebol, vôlei e futsal, promovidos a cada 45 dias pelo Cresça e Apareça, onde as estrelas são os adultos, muitas vezes os próprios pais dos atletas mirins do projeto. Nestas competições, que são verdadeiras festas de confraternização, as crianças trabalham de gandula, bandeirinhas, balconistas do bar e servindo água aos atletas. ‘‘Os torneios acabam motivando-os a continuar e mobilizando as famílias’’, diz Rosemeire. O pagamento dos salários dos treinadores e professores é bancado por uma taxa mensal que varia de R$ 5,00 a R$ 7,00. ‘‘Quem não pode pagar, não paga’’, destaca Rosimeire, ex-atleta de vôlei e de Ginástica Rítmica Desportiva (GRD). Sofrendo com a inadimplência, que ainda não excluiu ninguém dos treinamentos, a empresária lamenta que tenha que transferir parte da receita das atividades ‘‘extraprojeto’’ da academia para cobrir um rombo mensal de R$ 400,00. ‘‘Mas vale a pena’’.