Uma parceira com a faculdade privada Uninorte, de Ciudad del Este, no Paraguai, está possibilitando a recuperação dos dentes dos presos da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu. A cada semestre, pelo menos 20 deles vão receber próteses removíveis. Em consultórios da cidade, uma dessas próteses custa cerca de R$ 120.00.
O convênio não tem custo para a universidade. Isso porque a disciplina de Prótese Removível do curso de odontologia da instituição exige que seus alunos confeccionem modelos de próteses como atividade pedagógica. Depois de avaliadas pelo professor, esses modelos eram destruídos. ‘‘Agora a moldagem é feita nos detentos e as próteses são aproveitadas neles’’, explica o dentista Miguel Ângelo Finamore, responsável pelo atendimento dentário na cadeia.
O uso de próteses no tratamento dentário é uma das melhorias implantadas na cadeia de Foz após o início da atuação da Associação de Proteção e Assistência Carcerária (Apac), em dezembro do ano passado.
Formada por dezenas de entidades - entre elas as Polícias Civil e Militar, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público -, e mantida com doações, a Apac implantou na cadeia um serviço de assistência judiciária. Três vezes por semana, é feita uma triagem dos presos recolhidos. Após essa triagem, a AOB indica um advogado para defender os detentos.
Na área da saúde, a Apac construiu consultórios médico e dentário. Desde junho, profissionais pagos pela prefeitura atendem nesses locais, de segunda a sexta-feira. Apenas o serviço dentário atendeu 140 detentos. ‘‘Já resolvemos mais de 80% dos casos de emergência’’, avalia.
Em julho, foi implantado o projeto ‘‘Pintando a Liberdade’’, para a confecção de bolas de futebol. Dentro das celas, dez presos costuram as bolas, que serão usadas por crianças de escolas e creches da cidade. Eles ganham R$ 2,10 por cada unidade entregue. Em outro projeto, 15 mulheres fazem tapetes, panos de prato e outras peças de artesanato. Outro problema que a Apac ajudou a resolver foi a ligação do esgoto da cadeia ao sistema de tratamento da Sanepar. Desde a construção do prédio, há seis anos, o esgoto era depositado em uma pequena represa atrás da cadeia.
Além de provocar mau cheiro e a proliferação de insetos e ratos, em dias de chuva o esgoto vazava e poluía a Estação de Tratamento de Água do Tamanduazinho, que abastece a cidade. A obra da Sanepar está em fase de conclusão.
Nesses oito meses, a Apac repassou aos presos 5 toneladas de alimentos e 300 kits de higiene (papel higiênico, escova de dentes, creme dental e sabonetes). Uma campanha arrecadou também 300 peças de roupas.
Iniciativa inédita no Paraná, a Apac segue o modelo de uma entidade que conseguiu reduzir de 94% para 2% o índice de reincidência no crime dos presos na cadeia de Bragança Paulista (SP). Com projetos que incentivam o trabalho, essa entidade também acabou com as fugas naquele município paulista.

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