Parceria entre UEL e Receita beneficiará população carente
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terça-feira, 18 de julho de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Londrina deve ganhar neste semestre o NAF (Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal), que tem o objetivo de atender microempreendedores e contribuintes de baixa renda, que não têm acesso a determinadas informações da Receita Federal. O projeto é resultado de uma parceria entre a Receita e a UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Na manhã desta terça-feira (18), na delegacia da Receita, foi realizado o primeiro treinamento presencial de 46 alunos do curso de Ciências Contábeis da UEL, que atuarão como orientadores no NAF. A capacitação dos estudantes será realizada com a assessoria técnica da RF por meio de aulas presenciais. Posteriormente eles terão acesso a uma plataforma virtual de videoaulas para capacitá-los a realizar essas orientações e poderem atender bem a população.
Segundo o professor e chefe do departamento do curso de Ciências Contábeis, João Américo Tomaz de Aquino, a previsão é de que após esse treinamento esse serviço do núcleo seja oferecido em meados de agosto ou início de setembro. Ele ressalta que esse trabalho ajudará a diminuir pessoas que atuam na informalidade. "Esse é um dos grandes objetivos. A Receita Federal não tem condições de atender toda a demanda da população. Esses convênios formalizam mais um canal para buscar informações tributárias em nível Federal, mas a segunda etapa prevê o estabelecimento de convênio com a Receita Estadual", acrescenta.
A aluna do 1º ano de Ciências Contábeis, Carla Regina Saramento, ressalta que essa oportunidade irá proporcionar mais conhecimento para os estudantes. "A prática faz a excelência e eu me sinto sortuda por ter essa oportunidade." Sobre a experiência de poder ajudar a população carente ela diz que será muito bom.
"Os alunos de contabilidade deveriam com certeza participar mais do dia a dia da cidade", ressalta.
Uma das primeiras aulas apontou sobre a importância de instituições como o Observatório de Gestão Pública, que apontam irregularidades nas licitações antes mesmo delas serem realizadas e foram mostrados sites como o Impostômetro (https://impostometro.com.br/), que analisa o volume de arrecadação do Estado, e o Sonegômetro (http://www.quantocustaobrasil.com.br/), que mostra quanto de dinheiro está sendo sonegado no País.
O analista tributário e responsável pelo programa na Receita Federal, Bruno de Oliveira, explica que o programa de educação fiscal ressalta a importância desse trabalho para as pessoas hipossuficientes e microempreendedores carentes. "Os alunos recebem o básico de Direito Tributário, conhecimento sobre a estrutura da Receita Federal, que é uma estrutura bastante complexa, e terão conhecimento sobre como se resolvem as coisas e principalmente sobre o autoatendimento", aponta. Ele ressalta que quase que todos os atendimentos podem ser virtuais, inclusive com a alimentação de documentos. "Os estudantes vão conhecer os instrumentos eletrônicos e meios virtuais para acessar esses serviços para que a pessoa não precise vir para a Receita Federal. O problema é que as pessoas conseguem ter acesso à informação e à internet, mas aquela pessoa hipossuficiente, que muitas vezes tem pouca educação ou que tem um emprego simples, não sabe como acessar isso e é essa pessoa que tem possibilidade de ser atendida pelo NAF", analisa.
Serão vários serviços ofertados, tanto para o cidadão, quanto para a empresa. Oliveira aponta que o NAF oferecerá o atendimento básico, como orientar pessoas a obterem o CPF (Cadastro de Pessoa Física). "Antes a pessoa tinha que ir até a Caixa Econômica Federal ou ir aos Correios, e hoje isso é totalmente feito pela internet e tem resultado conclusivo. Se houver questão mais complexa, como divergência de dados em duas bases, ele também pode fazer o encaminhamento pela internet. Outros atendimentos mais complexos também serão ofertados pelo NAF, como se a pessoa tiver uma atividade simples e decide se formalizar. Pelo NAF ele pode conseguir todas as declarações e pode gerar a guia para essa pessoa, dando orientações para ter uma vida fiscal correta."
O atendimento do NAF deve ser realizado na Agência do Trabalhador (Rua Hugo Cabral, 303-Centro). "A previsão é de que o atendimento seja realizado duas vezes por semana; vamos divulgar quando o serviço começar. Diariamente passam aqui na Agência do Trabalhador entre 400 e 500 pessoas", explica o secretário municipal de Trabalho, Emprego e Renda, Elzo Augusto Carreri, acrescentando que o convênio entre a prefeitura e a UEL deve ser assinado em breve.
'No Brasil existem cerca de 200 núcleos'
O delegado da Receita Federal em Londrina, Luís Fernando da Silva Costa, explica que o NAF surgiu em 2011, no Rio Grande do Sul, e já atingiu nove países da América Latina. "No Brasil existem cerca de 200 núcleos como esse. O objetivo do NAF é atender pessoas de baixa renda, os hipossuficientes, que não possuem acesso a determinadas informações da Receita Federal e que por meio da implantação desse escritório será possível viabilizar isso", destaca.
A RF está a procura de mais parceiros para criar mais núcleos. Já fechou parceria com a PUC e a Unicesumar, ambas em Londrina, além de instituições de Apucarana e Ivaiporã.
Questionado sobre a projeção de atendimento da população, ele ressalta que ainda não tem ainda como precisar. "Como é o primeiro núcleo, vamos aprender fazendo. Cada região tem sua especificidade. O NAF de uma região que é agrícola, naturalmente o interesse maior será sobre o imposto territorial rural e tem muitas cidades com essas características na região que são assim. Já uma cidade com vocação ao comércio, como Londrina, a gente vai ter uma quantidade grande de microempreendedores individuais", analisa, informando que no município são 15 mil microempreendedores individuais.


