Arquivo FolhaO comandante
Marino Ari
Burille firmou
a parceria ontemA partir de hoje, a Polícia Militar estará realizando a segurança na área de lazer que compreende o Zerão e Lago Igapó. A parceria entre a Prefeitura e a PM foi firmada ontem, no final da tarde. De acordo com a parceria, os policiais militares, equipados com rádios, estarão no local nos períodos de maior frequência.
O reforço da segurança foi acertado em uma reunião entre o secretário geral da Prefeitura, Gino Azzolini Neto, e o comandante da PM de Londrina, Marino Ari Burille. Segundo o secretário, a iniciativa partiu do prefeito Antonio Belinati (PDT). Pelo acordo, a administração municipal fica responsável pelo apoio material: combustível e a manutenção dos equipamentos. A PM deverá ainda estudar a possibilidade de instalar um módulo policial no local.
A falta de segurança no Zerão e na pista de cooper do lago Igapó 1 (zona sul de Londrina) foi assunto discutido ontem por um grupo de frequentadores do local, na maioria profissionais liberais. Eles convocaram representantes das policiais Civil e Militar, do Conselho Municipal de Segurança e da Prefeitura para a reunião realizada na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Uma das organizadoras do encontro, a publicitária Maria Ângela Ferraz, afirma que o problema da falta de segurança se agravou a partir de janeiro deste ano, quando a Prefeitura, alegando falta de recursos, desativou as duplas de vigias que faziam a ronda no local.
‘‘Agora, com o horário de verão, o fluxo de pessoas que vão ao Zerão no final da tarde com certeza vai aumentar. Esse movimento maior vai até fevereiro. É preciso garantir a segurança das pessoas e não aceitar o descaso da administração’’, diz a publicitária, que há quatro anos frequenta o Zerão.
Maria Ângela presenciou tentativa de estupro no final do mês passado, por volta das 20 horas, quando caminhava com outras duas amigas às margens do Igapó. Elas viram quando uma moça, que estava 100 metros à frente, foi agarrada por um homem que saltou do gramado entre a pista e a ciclovia. No momento em que a jovem começou a gritar, tentando se desvencilhar do agressor, todas as lâmpadas que iluminam a pista de cooper se apagaram.
A publicitária, que estava com telefone celular, ligou para a polícia. ‘‘Era o que eu podia fazer diante do breu que virou aquele local’’, justifica. A moça, conforme informação obtida depois pela publicitária, só não foi violentada porque três rapazes que vinham em direção ao local prestaram socorro. ‘‘Fiquei sabendo que dois homens que tentavam atacá-la saíram correndo quando viram os rapazes chegando’’, conta Maria Ângela.
A publicitária informa que, após a publicação de matéria pela Folha, mostrando o problema da falta de segurança, várias pessoas entraram em contato com ela relatando situações perigosas vividas no Zerão e nas margens do lago Igapó. ‘‘Já houve problemas de homens se masturbando em pleno dia e de pessoas consumindo drogas naquele local.’’
Outro problema, conta ela, aconteceu há duas semanas, num domingo. Um grupo de rapazes disputava corrida de cavalo na pista de cooper e quase atropelou crianças que seguiam a pé. ‘‘O Zerão é um dos poucos espaços de lazer que o londrinense tem para fazer suas caminhadas, suas atividades físicas e tentar se livrar do estresse do dia-a-dia. Precisa contar com segurança’’, diz.
O secretário municipal de Administração, Moysés Leônidas, lembrou que a guarda no Zerão e em outros locais públicos, entre eles os dois Centros de Atenção Integrada à Criança (Caics) construídos em bairros das zonas sul e leste, foi desativada em maio deste ano, quando a Prefeitura deixou de renovar contrato com empresa de segurança.
Leônidas explicou que os cerca de 100 homens da Guarda Municipal continuam em atividade, mas em outros locais públicos. Já os serviços que exigiam maior qualificação - como a segurança do Zerão e do Igapó - teriam que ser terceirizados. ‘‘Com a falta de recursos da Prefeitura não tivemos condições de renovar o contrato com a empresa.’’

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