Na visita de toda a alta cúpula estadual ligada à segurança pública ontem, em Londrina, o foco da discussão foi a ampliação de medidas para atendimento aos jovens usuários de droga e envolvidos com a criminalidade. Além do anúncio da criação de mais 155 vagas, em regime semi-aberto, para tratamento dos adolescentes, o Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) propôs a formação de parceria com alguma organização não-governamental (ONG) da região para atendimento de adolescentes em regime fechado. No Paraná não existe nenhuma entidade não-oficial que preste esse tipo de assistência. O secretário de Segurança Pública do Paraná, José Tavares, participou da reunião.
O diretor do Iasp, Aloisio Pacheco, divulgou ontem, em reunião no Fórum local com membros do Ministério Público e juízes, que as 155 novas vagas serão preenchidas por jovens de 12 a 21 anos dependentes químicos e/ou infratores que não exigirem privação de liberdade, já a partir dos próximos dias. Cinco entidades da cidade prestarão o atendimento em regime semi-aberto (veja texto ao lado).
Em 2002, em 22% dos 60 assassinatos solucionados em Londrina houve a participação de adolescentes menores de 18 anos, de acordo com a 10 Subdivisão Policial. Apenas na área do 3º Distrito Policial (zona oeste), menores se envolveram em 80% das 26 mortes registradas neste ano. Hoje, os jovens londrinenses que necessitam de internação em tempo integral são atendidos por instituições de Rolândia, Jacarezinho e Curitiba.
Para os adolescentes que tiverem que ser internados em regime fechado, seguindo determinação da Justiça, Pacheco, que também é vice-presidente do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, propôs uma parceria com alguma ONG local para que pelo menos 30 adolescentes possam ser atendidos na região. Ele destacou que não vê outra alternativa a curto prazo se nenhuma ONG se interessar em prestar esse atendimento.
Hoje, segundo o juiz da Vara da Infância e Adolescência, Ademir Ribeiro Richter, é grande a dificuldade de encontrar vagas nos educandários estaduais já existentes e nas entidades que tratam de adolescentes em situação de risco não há disponibilidade de vagas baseada na privação de liberdade. Segundo o juiz, o município carece, imediatamente, de no mínimo mais 50 vagas para suprir a ''demanda''.
A promotora de defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Edina Maria de Paula, antecipou que não acredita na viabilidade dessa proposta. ''Acho que não funcionaria (o atendimento por uma ONG) pois necessitariamos de um espaço contido para tratamento desse adolescente em situação de risco'', destacou.
Por fim, Pacheco afirmou que o educandário para atendimento de menores infratores que deverá ser construído próximo à Casa de Custódia deverá entrar em funcionamento dentro de sete meses. O Estado já repassou ao Município R$ 1,2 milhão para a construção do prédio que contará com 80 vagas.

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