'PARCERIA' - Pena se transforma em trabalho voluntário
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Quando o aposentado Arnaldo Cardoso de Azevedo, de 60 anos, se envolveu em um acidente por dirigir embriagado, era servidor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Condenado a prestar 180 horas de serviços à comunidade, entrou em contato com o Serviço de Bem-Estar à Comunidade (Sebec) para cumprir a pena em uma atividade na própria UEL, que através de convênio com o Patronato Penitenciário recebe atualmente uma média de 20 apenados. Como gosta de atividades ligadas à agricultura, Azevedo foi designado a colaborar na horta comunitária do Colégio de Aplicação que atende crianças no próprio campus universitário.
A experiência deu tão certo que, apesar de já ter cumprido a pena e estar aposentado, continua trabalhando voluntariamente na horta. "Refleti bastante sobre o que aconteceu e entendi os riscos de dirigir embriagado. Achei que cumprir a pena ia ser mais fácil, mas é um processo bem rígido", conta ele, que passou a ser mais cuidadoso no trânsito.
Sobre o trabalho na horta, Azevedo garante que não vai parar de realizar. "Trabalhei muitos anos na UEL, tive muitas oportunidades aqui e quero continuar contribuindo com a instituição", planeja.
A assistente social Ana Luiza Bernardi Alves, do Sebec, relata que o serviço recebe os prestadores de serviço encaminhados pelo Patronato e realizam entrevistas para verificar o perfil de cada um. "O objetivo é ver o que eles sabem fazer para encaminhá-los a atividades adequadas", conta ela, destacando que a maioria das pessoas faz trabalho de zeladoria e limpeza, mas há apenados em serviços administrativos e recepção.
Segundo Ana, a maioria dos condenados chega à UEL sem consciência de que estão pagando por um erro que cometeram e que a prestação de serviços é um benefício. "Mostramos que, na verdade, o maior favorecido é o apenado. Muitos continuam sem entender e até param de vir, mas outros enxergam no cumprimento da pena uma perspectiva para mudar de vida", relata.
Em geral, as pessoas que prestam serviços à comunidade na UEL são egressos do sistema penitenciário que estão terminando a pena e envolvidos em crimes de trânsito ou fiscais. "Só evitamos quem teve envolvimento com drogas porque o público do campus é muito jovem", explica.


