O trabalho é a moeda que muitos condenados pela Justiça estão utilizando para pagar suas dívidas com a sociedade. Em Londrina, através do Patronato Penitenciário, há 528 assistidos cumprindo prestação de serviço à comunidade em 72 instituições sem fins lucrativos e órgãos públicos. Têm direito ao benefício pessoas que cometerem crimes não violentos cuja pena máxima não exceda a dois anos e também condenados a penas de privação de liberdade que, depois de um tempo, são substituídas por penas alternativas.
A prestação de serviços à comunidade, além de reduzir a superlotação do sistema penitenciário estadual, também oferece aos apenados a possibilidade de inclusão social. Para as entidades, quase sempre carentes de mão de obra, o reforço nas equipes é sempre bem-vindo.
A vice-diretora do Patronato em Londrina, Edna Wauters, destaca que o encaminhamento dos apenados é feito por equipe técnica e multiprofissional de acordo com o perfil e as aptidões de cada um. Na maioria dos casos, são pessoas que cometeram crimes de trânsito, desacato à autoridade, furto primário e sonegação de impostos. "Têm pessoas com curso superior e outras que mal sabem ler e escrever, por isso o encaminhamento deve ser feito de acordo com o perfil", diz.
Além da triagem, a instituição é responsável por fiscalizar o cumprimento da pena, que pode variar de um a quatro anos. "A média das condenações é de dois anos", esclarece Edna, destacando que os condenados podem cumprir no máximo sete horas semanais. Quando a pena é superior a um ano, entretanto, a lei permite o cumprimento de até 14 horas semanais. "O objetivo principal é a inclusão social. Temos histórias de gente que continuou trabalhando voluntariamente na instituição e até quem foi contratado como funcionário."

CEMITÉRIOS
Apenas na Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), há mais de cem pessoas cumprindo pena que fazem limpeza e conservação de cemitérios. Durante as sete horas semanais que ficam disponíveis, eles fazem capina, recolhem entulhos, cortam a grama e realizam pequenas reformas. Para a autarquia, carente de funcionários, esta mão de obra ajuda a manter os cemitérios "em dia". "Apenas os servidores não dão conta", afirmou o superintendente da Acesf, Douglas Carvalho Pereira. A estrutura envolve 13 cemitérios, 19 capelas e 33 mil túmulos. "A parceria com o Patronato é excelente."
Um dos apenados é um vendedor ambulante de 62 anos que cumpre pena por venda de DVDs piratas. "Fiquei cinco dias ‘guardado’ e perdi R$ 2 mil. Só isso já foi uma punição, mas o juiz me condenou a prestar serviço e estou vindo fazer a limpeza nos cemitérios. Não tenho preguiça de trabalhar, fui condenado e vou cumprir minha pena", lamentou ele, que se considera "injustiçado". "Nunca imaginei cair por venda de DVDs. A gente paga imposto em tudo que compra e não pode trabalhar", critica. (Leia mais na pág.2)

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