Dezenas de desempregados de Londrina estiveram ontem e anteontem na Subdelegacia Regional do Trabalho e no escritório do Sistema Público de Emprego (Sempre, antigo Sine) com a esperança de receber o novo seguro desemprego extra, recentemente criado pelo Governo Federal e que começou a ser pago nesta semana.
Os desempregados de Londrina, bem como de todo o interior e muitas capitais brasileiras, ficaram frustrados ao saber que não têm direito às três parcelas - de R$ 100,00 cada uma - do seguro extra. Filas se formaram nos dois órgãos federais, principalmente nos períodos matutinos, e houve um princípio de tumulto. Mas, apesar das muitas reclamações dos desempregados, nenhum incidente foi registrado.
O ex-comerciário Adílson Aparecido Moreira, 36 anos, está desempregado há 14 meses. Ele esteve ontem na Subdelegacia do Trabalho, mas foi informado que não poderá receber o seguro extra porque não cumpre uma das exigências básicas da resolução que criou o novo abono: residir em uma das dez maiores regiões metropolitanas do País. ‘‘O desemprego é ruim e igual para todos, em qualquer lugar que a gente more. Também deveríamos ter direito de receber o seguro’’, afirmou.
O seguro desemprego extra só está sendo pago aos que residem nas regiões metropolitanas de Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. Têm direito os desempregados com mais de 30 anos de idade, cuja demissão tenha ocorrido entre 12 e 18 meses, e que já tenham recebido o seguro desemprego inicial. As três parcelas extras serão pagas até junho deste ano.
‘‘Eu fiquei sabendo deste novo seguro pela televisão. Fui a uma agência da Caixa e me encaminharam aqui para o Sempre. Minha esperança era receber estas novas parcelas do seguro, porque já estou desempregada há mais de um ano e a situação está muito difícil’’, comentou a ex-auxiliar de uma indústria de confecções, Márcia Camargo Moreira. Ela não teria mesmo direito ao seguro extra porque tem apenas 23 anos de idade.
O chefe da agência do Sempre em Londrina, Júlio César dos Santos Zanoni, explicou que o movimento de desempregados aumentou cerca de 30% nos últimos dias, em consequência da divulgação do seguro extra. ‘‘Muita gente veio aqui atrás disto. As pessoas reclamaram, não se conformaram por Londrina não estar incluída no mapa do recebimento. Mas não chegou a haver tumulto.’’Paulo WolfgangFrustraçãoNos últimos dias, movimento de desempregados na agência do Sempre aumentou 30%: filas foram em vão; abaixo, Márcia Moreira, que diz estar numa situação difícilOsmani Costa

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