Parceiros no desenvolvimento paraguaio
Conforme o diretor do Centro Empresarial Brasil-Paraguay (Braspar), Wagner Enis Weber, os brasiguaios respondem por mais de 50% da produção paraguaia de grãos atualmente, estimada em 8,1 milhões de toneladas na safra 2010/11. Além disso, os brasileiros introduziram no país o milho safrinha e deverão colher este ano mais de 5 milhões de toneladas.
Tal panorama permite dizer que os brasiguaios são hoje parceiros fundamentais para o desenvolvimento paraguaio, haja visto que a agricultura responde por 21,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Weber adianta que os produtores, agora, avançam no sentido de processar os grãos de soja no próprio país e agregar valor à produção.
Santa Rita, por exemplo, se desenvolveu puxada pela riqueza gerada pelas culturas de soja, trigo e milho. A cidade tem o custo de vida mais alto do Paraguai. O aluguel de um apartamento de um quarto não sai por menos do equivalente a R$ 600,00. Mas a desigualdade social é evidente. Pelas ruas, os paraguaios trabalham na informalidade, vendendo frutas, salgados e importados.
O especialista comenta que, antes da entrada dos brasileiros, o Paraguai praticamente não produzia grãos. As principais culturas eram algodão e cana. A grande maioria dos campesinos praticava uma agricultura de subsistência.
Mas ainda que considere a importância dos brasileiros no contexto econômico paraguaio, Weber opina que a solução para as discussões envolvendo terras precisa respeitar as leis do país. ''Não há o apoio do Estado paraguaio, porque a carga tributária é de apenas 8% do PIB e o Estado tem muito pouca atuação. Por seu lado, o governo brasileiro também tem pouco a fazer porque são questões judiciárias. Como (o problema) está judicializado, a solução tera que ser dada no seio da Justiça do Paraguai, ainda que politicamente hajam posições contrárias e favoráveis'', conclui. (L.A.)





